Mesmo sendo uma manifestação cultural tipicamente brasileira, até 2015 o forró não tinha um representante carnavalesco. E o pioneirismo não veio do Nordeste, sua terra de origem, mas das Alterosas. Foi na folia de rua de BH que surgiu o Pisa na Fulô, primeiro bloco do país focado no arrasta-pé. 

O grupo, que percorre as ruas do bairro Carlos Prates, região Noroeste da capital, já se prepara para o desfile deste ano, marcado, como de costume, para a terça-feira de Carnaval. Visando financiar o cortejo, o bloco realiza a 10ª edição do “Baile do Pisa”, que acontece neste sábado (26), no Catavento Cultural. Além do bloco, que recebe participações dos cantores Nath Rodrigues e Everton Coroné, a festa comemorativa terá o grupo Samba da Vela e o DJ Van. 

Uma das vocalistas do Pisa na Fulô, Drica Mitre conta que o evento é fundamental para viabilizar o desfile, que a cada ano atrai um número maior de foliões. No ano passado, foram cerca de 70 mil pessoas. “Quanto mais gente, maior a estrutura necessária. Por isso, todo o recurso de bilheteria do ‘Baile’ vai para o bloco”, afirma.

Ela ressalta a relevância das participações especiais. “O Carnaval tem sido muito importante para fomentar as festas na cidade, mas ao mesmo tempo vem ocupando espaços da música autoral de BH. Então, vimos a necessidade de acoplar à visibilidade do Carnaval o trabalho de cantautores e instrumentistas da cidade que têm composições de forró”, completa, lembrando que já participaram de outras edições nomes como Laura Catarina e Raphael Sales.

A 10ª edição do “Baile do Pisa” acontece neste sábado (26), das 14h às 22h, no Catavento Cultural (rua Ozanam, 711 – bairro Ipiranga). Os ingressos, vendidos na portaria, custam entre R$ 10 e R$ 25. Informações no facebook.com/blocopisanafulo

Bateria

Quanto à apresentação do Pisa na Fulô, o principal diferencial está na bateria, cuja instrumentação é composta por zabumba, agogô de coco e triângulo. “Nos bailes, toda a bateria toca. Nesta edição, esperamos cerca de 80 batuqueiros”, adianta Mitre. 

Com harmonia formada por três vocais, duas sanfonas e baixo acústico, o bloco entoa clássicos de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gilberto Gil, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, dentre outros.

A cantora lembra que o bloco surgiu de uma oficina ministrada pelo regente Di Souza, que buscava explorar novos ritmos no Carnaval. “O pessoal curtiu a ideia e ele começou a pensar a composição da bateria. Foram nessas oficinas, no Carlos Prates, que a praça começou a ser ocupada”, pontua, ressaltando a relação do bloco com a praça localizada no encontro das ruas Peçanha e Patrocínio, hoje apelidada de Praça Pisa na Fulô. 

“Antes, a praça era isolada, pouco apropriada pelos moradores. Os ensaios começaram a agitar a vizinhança e o bloco passou a ter uma relação super bacana com a comunidade e com a própria praça, de onde ele sai até hoje”. 

Leia mais:

Livro de jornalista mineiro aborda a relação entre Hugo Chávez e o narcotráfico

Bloco ‘Quando Come Se Lambuza’ promove ensaio aberto no Clube Chalezinho

Netflix concorre ao Oscar com a produção original 'Roma'; filme é um dos favoritos