Todos os anos o Instituto Inhotim, em Brumadinho, ocupa seus jardins com novas obras de artistas de todo o mundo. Trabalhos que muitas vezes são desenvolvidos especialmente para o espaço – dedicado a divulgar e potencializar a arte contemporânea.

A partir da próxima quinta (4), quem for ao megamuseu a céu aberto vai poder conhecer os nomes que passarão a compor o vasto acervo de Inhotim: são exposições com obras de artistas do Leste Europeu, da Ásia e dos Estados Unidos. Com as novas instalações, o público terá, à frente, mais de 240 obras em exposição nas 22 galerias do espaço. Hoje, o acervo conta com cerca de 800 trabalhos de 52 artistas: 18 brasileiros e 34 estrangeiros, oriundos de 20 países.

O início

Desde a sua fundação, em 2006, o Inhotim desenvolve trabalhos de pesquisa, viagens e visitas a exposições em todo o mundo de forma sistemática. Tudo para manter antenada a equipe de curadoria do espaço – profissionais responsáveis por selecionar os nomes que farão parte do acervo do museu.

“Ainda trabalhamos com uma série de projetos, simultaneamente. De maneira periódica, avaliamos em que estágio eles estão e se estão prontos para serem apresentados. É dessa forma que encontramos e convidamos os artistas a virem para cá”, explica Rodrigo Moura, diretor de arte e programas culturais de Inhotim.

No Instituto há dez anos, Moura pode como poucos falar sobre as reais deficiências do espaço que, apesar de ser um dos museus de arte contemporânea mais bem avaliados e respeitados no mundo, ainda algumas pedras para tirar do sapato.

“Temos um público crescente e são incontáveis as conquistas que tivemos ao longo de uma década, mas ainda não somos autossustentáveis. E esse é o nosso maior desafio: conseguir nos manter”.

“A comercialização da marca, que há pouco tempo se expandiu ao ganhar um ponto de venda em Belo Horizonte (ma loja-conceito, na Savassi), foi uma maneira. Estamos caminhando e em breve vamos conseguir”, garante o diretor do Instituto, que tem como fundador o empresário Bernardo Paz.

Entre as ações futuras para gerar receita, Moura prevê a expansão de produtos e das duas lojas no próprio Inhotim – a exemplo de grandes museus da Europa, sabe-se que a comercialização da marca é um grande filão.

Casa de fazenda é adaptada para Carroll Dunham

Das novas atrações que Inhotim vai hospedar a partir da próxima quinta-feira, faz parte uma nova galeria permanente dedicada ao pintor norte-americano Carroll Dunham, 65 anos.

Além dele, outros três artistas estrangeiros ocuparão a Galeria Lago: a romena Geta Bratescu – que fará uma exposição individual; o tcheco Dominik Lang e o filipino radicado David Medalla que juntos apresentarão obras de grande porte.

A inauguração das novas aquisições vai contar ainda com uma performance do mesmo David Medalla e com shows dos músicos Jards Macale e Jorge Mautner – as apresentações acontecem a partir das 15h, próximo a árvore Tamboril.

“Belo Horizonte é uma cidade que aprendeu a ver e vivenciar o modernismo antes de qualquer cidade brasileira. É natural, portanto, que tantos espaços voltados para as artes visuais façam sucesso”, afirma Rodrigo Moura, diretor de arte e programas culturais de Inhotim, sobre o resultado promissor das exposições inauguradas no megamuseu e que agora não deve ser diferente.

Arte múltipla

Da pop art de Andy Warhol. Do surrealismo de Salvador Dali. Do expressionismo de Edvard Munch. São muitas as correntes que inspiraram Caroll Dunham (norte-americano que ganha a 18ª galeria permanente de Inhotim) a criar “Jardim” – um ciclo de cinco pinturas para serem exibidas juntas, que passa a ocupar uma antiga casa de fazenda, adaptada exclusivamente para abrigá-lo.

Já a romena Geta Brãtescu (considerada um dos nomes mais importantes da vanguarda do pós-guerra no Leste Europeu) ganha na Galeria Lago uma abrangente mostra individual. Batizada “O jardim e Outros Mitos”, a exposição traz obras produzidas entre 1960 e 2013. São colagens, pinturas, desenhos e filmes experimentais, onde a octogenária reflete sobre a prática artística e a condição feminina.

O tcheco Dominik Lang apresenta “Cidade adormecida” – mostra criada a partir de esculturas de bronze produzidas por seu pai (o artista Jirí Lang) e que está envolta de memórias pessoais e relação afetiva e artística entre pai e filho.

Já David Medalla assina “Portões de nuvem” – esculturas cinéticas formadas por espumas (de água e sabão) que são acionadas por um motor. A obra pertence à série “Bubble Machines” e foi exibida pela primeira vez na década de 1960.