Quando a turnê do álbum “Caravana Sereia Bloom” (de 2012) se aproximou do fim, Céu compreendeu que era hora de partir para um trabalho totalmente diferente. “Eu estava com muitas ideias na cabeça, com desejo de fazer outras histórias. Queria uma coisa que tivesse beats, uma música mais sintética”, conta a cantora.

O desejo foi realizado e apresentado no álbum “Tropix” (Slap/Som Livre), o quarto da carreira. Para a completa transformação de sonoridade, ela convidou Pupillo (baterista da Nação Zumbi) para a produção – ação dividida com o tecladista francês Hervé Salters, que já tocou com artistas de vários países, como Femi Kuti e Mayer Hawthorne.

O repertório traz 12 faixas, sendo quase todas assinadas por Céu (ora sozinha ora com parceiros), com exceção de “A Nave Vai”, de Jorge du Peixe (mais uma presença da Nação Zumbi), e “Chico Buarque Song” (da banda paulista Fellini). 

Tropical
Mesmo que as referências aqui sejam artistas da música eletrônica de diferentes frentes, Céu faz questão de mostrar que a brasilidade está presente em cada momento do álbum. Como deixa clara a dançante “Varanda Suspensa”: “vista para Ilhabela/ éramos a tela impressionista/ tropical/ latino-americana”. 

“‘Tropix’ é por mexer com trópicos, fazer música com beats sem deixar de ser brasileira. A partir do momento em que definimos isso, começamos a procurar um som que definisse essa mistura”, diz a cantora.
 
Essa definição foi determinante para que “Tropix” se tornasse, provavelmente, o álbum mais coeso da carreira da artista. Também contribui para isso o fato de ter, pela primeira vez, trabalhado com um grupo bem enxuto de músicos. Além dos dois produtores, estavam no estúdio apenas o guitarrista Pedro Sá (Banda Cê) e o baixista Lucas Martins. “Queria um time único tocando o disco todo, para ter uma unidade”, diz Céu, que contou com as participações de Tulipa Ruiz, em “Etílica”, e de sua filha, Rosa Morena, em “Varanda Suspensa”. 

Reggae
Mesmo que os beats tenham tomado conta do novo trabalho, Céu garante que não abandonou o reggae – ritmo marcante em seus dois primeiros álbuns e na turnê realizada ano passado, em homenagem ao disco “Catch on Fire”, de Bob Marley. “O ‘Tropix’ tem a novidade de não ter reggae, mas não vou deixar de tocar as músicas dos outros discos”.