“AzulAmarelo” é a canção que abre a trilogia de singles “Bença”, que a mineira Camila Menezes lança neste mês de junho, nas plataformas digitais. Em seu primeiro trabalho solo, a multiartista assina, sozinha, composição, melodia, gravação (vozes e instrumentos), mixagem e masterização. Além do fato de ter sido inteiramente construído por Camila, o EP tem como fio-condutor a mistura inusitada entre viola caipira e elementos eletrônicos, em conexão com a voz da artista, conhecida também por seu trabalho como baixista e compositora das bandas Dolores 602 e Tutu com Tacacá. 

 Gravada originalmente em 2014, pela Dolores 602 – e reconhecida, no mesmo ano, com o 2º Lugar do “Prêmio de Música das Minas Gerais” – “AzulAmarelo” é um convite para “acordar pra ver” e refletir sobre o que nos cerca, que segue bastante atual. “É uma música que fala da casa-Terra, da nossa relação com o planeta e entre nós, neste planeta. Que diz sobre a igualdade, que questiona as polarizações”, afirma Camila Menezes, premiada oito vezes em festivais por composições criadas para a banda de indie pop, formada por musicistas em BH. Em 2020, o disco “Cartografia”, da Dolores 602, recebeu o título de Melhor Obra (pop/rock) “Prêmio da Música Popular Mineira”, da Rádio Inconfidência.

Do ponto de vista sonoro, “AzulAmarelo” se transforma por completo neste trabalho solo, com o arranjo inédito que traz para o centro da roda a viola em diálogo com a voz e as nuances da música eletrônica. Afinal, versatilidade é outra característica do trabalho de Camila Menezes, que transita não apenas entre instrumentos e etapas do fazer artístico, mas por gêneros e referências musicais. Outra prova disso é sua atuação como baixista da banda Tutu com Tacacá, que funde ritmos mineiros e do Norte, como o carimbó; ou como maestrina do Coral Casa de Auxílio e Fraternidade Olhos da Luz (Sabará/MG), que vai do tango ao folk, passando pelo fado português e pelas músicas regionais brasileiras.