Em seu último álbum, "eMPathia", a cantora italiana Mafalda Minnozzi mostra como consegue transitar plenamente por diferentes línguas e linguagens, com interpretações para músicas de Cole Porter, Tom Jobim, Edith Piaf e muitos outros. Os arranjos são minimalistas, com sua bela voz acompanhada apenas pelo guitarrista americano Paul Ricci que, por sinal, ela conheceu no Rio de Janeiro.
 
O público mineiro poderá conhecer o encontro entre Mafalda e Ricci no show que a dupla realiza na noite desta terça (24), no Cine Theatro Brasil (às 21h, com ingressos por R$ 40 e R$ 20, a meia-entrada). Confira a conversa com a cantora sobre o novo projeto e sua paixão pela música brasileira.
 
Como foi o processo de criação do álbum? Como foi a escolha do repertório?
Considero "eMPathia" um projeto paralelo na minha carreira e ao mesmo tempo uma evolução, apesar do formato essencial com o qual foi realizado: voz e guitarra elétrica. Eu e o guitarrista nova-iorquino Paul Ricci, meu parceiro musical no projeto "eMPathia" quisemos gravar utilizando uma linguagem essencial mas rica de detalhes, desenhando melodias refinadas sobre harmonias atraentes e tocando as cordas do "jazz" num trabalho atento. Na realidade o projeto vem de longe, ficou amadurecendo e finalmente nasceu de maneira espontânea: o resultado é uma mistura musical de forte identidade onde nada é casual mas realmente pensado com muita atenção.
Obviamente criamos arranjos originais para exaltar a nova proposta, seja no estúdio durante a gravação, seja no palco durante os shows.
E tem outra grande diferença em relação às produções anteriores: além de interpretar grandes autores da musica italiana, desta vez incluímos também autores internacionais como Tom Jobim e Edith Piaf.

Como você conheceu Paul Ricci? Quando surgiu a ideia de fazerem um duo de voz e guitarra?
Nos conhecemos no Rio de Janeiro em 1996, tendo uns amigos músicos cariocas em comum. Apesar de termos origem e formação e influências musicais diferentes, percebemos desde o início que a mesma paixão pela música nos unia, aquela música sem fronteiras nem limites de idioma ou estilo a ser descoberta, lida, interpretada, modelada, feita própria. Assim começamos a colaborar, lado a lado para produzir CDs, DVDs, trilhas sonoras, shows. Cada projeto sempre nasceu originariamente cruzando e juntando nossas ideias: sobre essa base construímos produções e turnê. Desta vez decidimos de dar valor próprio a essa base, pura e simples, porém já riquíssima de conteúdos.

A resposta entusiasta do publico na Itália, onde lançamos o álbum "eMPathia" com uma turnê de shows no verão, premiou nossa ousadia reconhecendo a sinceridade do projeto.

No disco há duas músicas de Tom Jobim. Como nasceu sua admiração pela bossa nova? O que gosta na música brasileira?
Minha história de amor com a Bossa Nova começou muito anos atrás: graças a grandes intérpretes como Mina ou sobretudo Caterina Valente que introduziram a bossa na Itália com suas interpretações. Daí comecei a procurar, ouvir, apreciar, me apaixonar pelo João Gilberto e pela Elis Regina até descobrir enfim a imensa força criativa do "maestro soberano" Tom Jobim e as letras de Vinicius de Moraes. Hoje posso dizer que a Bossa Nova influenciou e continua influenciando dois aspectos fundamentais da minha interpretação: me ensinou a comunicar minhas emoções musicais de forma delicada e intimista, fato nada natural para uma intérprete italiana; e também me ensinou a atribuir o valor certo a cada palavra e a cada nota que devem encaixar-se perfeitamente no ritmo ... como uma eterna dança.

Há shows previstos para o Brasil? Como será a divulgação desse trabalho?
Pelo estilo essencial "voz e guitarra" da proposta musical, a divulgação do trabalho terá como ponto forte as apresentações ao vivo. Para apreciar os mil detalhes das interpretações, os improvisos e o estilo jazz que revela-se em vários momentos do show precisamos que o público esteja bem próximo ao palco. Por isso evitamos os grandes teatros e os grandes espaços privilegiando locais da atmosfera mais intimista, de media capacidade. Obviamente incluímos uma longa turnê no Brasil (dois meses) sendo meu país de adoção. Sem duvida o público brasileiro é o publico "ideal" que cada artista gostaria ter: pela competência, pela participação, pela sinceridade e pela sua grande emotividade. O calor do público brasileiro realmente me faz bem! A estreia aconteceu no mês de outubro no Teatro Municipal em Niteroi/RJ e em seguida o show de lançamento de "eMPathia" foi ao Tom Jazz em Sampa e ao Teatro da Caixa Cultural em Curitiba. Continuará em Salvador, Porto Alegre, Caxias do Sul. Não podia faltar minha querida Belo Horizonte, onde realizaremos o show no Teatro de Câmara do Centro Cultural Vallourec no dia 24 de novembro.