Quando o projeto “Palavras Cruzadas”, que une música e imagem em espetáculos inéditos, convidou Mariana Aydar para uma participação, ela não pensou duas vezes: iria trabalhar com Nuno Ramos. Ela já tinha uma história com o artista plástico e compositor, gravando músicas dele nos seus dois últimos álbuns e cantando “Carcará” para a famosa/polêmica obra “Bandeira Branca” – aquela dos urubus na Bienal de São Paulo em 2010.

No meio do processo de concepção do espetáculo, apresentado ano passado, já nasceu o desejo de realizar um álbum. “Escolhi o Nuno por ver ali a oportunidade de mergulhar no seu universo e cantar todas as suas músicas que eu tinha vontade. Quando vi tinha 12 músicas levantadas e pensei: tenho um disco”, conta Mariana, que lança o álbum “Pedaço duma Asa” no Teatro Bradesco na próxima quinta-feira.

Produção caseira

O repertório do disco (e consequentemente do show) apresenta composições de Nuno com seus principais parceiros: Romulo Fróes e Clima. Há espaço ainda para uma parceria entre Mariana e Nuno (“Poeira”) e uma música assinada apenas por Clima (“Samba Triste”). O processo de feitura foi bastante caseiro, feito no estúdio da casa onde moram ela e seu marido, Duani, que assina a produção. Quase toda a instrumentação foi feita com o guitarrista Guilherme Held. O álbum faz jus à ousadia e contemporaneidade da obra poética do artista. “Acho o Nuno muito inteligente, livre e profundo. Suas composições são carregadas de muita beleza, ele tem uma linguagem própria”, diz Mariana, que também leva algumas músicas de álbuns anteriores para o palco, mas com arranjos diferentes.

Mariana Aydar no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244), nesta quinta, às 20h30. R$ 40 e R$ 20 (meia)