A chegada hoje às telas do país de “Capitã Marvel”, além de marcar o primeiro filme solo de uma heroína da Marvel, tem gosto de despedida para os fãs que se acostumaram a ver a turma de Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e Thor liderando – nas histórias e nas bilheterias – o grupo dos Vingadores.

Juntamente com “Vingadores: Ultimato”, previsto para o próximo mês, o longa-metragem da Capitã encerra a fase 3 do universo cinematográfico da Marvel, que deve marcar também a saída de cena de atores como Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Evans (Capitão América) e Chris Hermsworth (Thor).

Será a deixa para que novos protagonistas ganhem espaço, como a própria Capitã Marvel e os X-Men e o Quarteto Fantástico, que estavam com os direitos ligados à produtora Fox, originando filmes que nada tinham a ver com a cronologia Marvel. A compra da Fox pela Disney, em 2018, ampliou as possibilidades.

“A grande sacada foi colocar a personagem para ser escrita por uma mulher, sendo alçada ao papel de símbolo feminista dos anos 2000 pela Marvel e obtendo uma popularidade que culminou neste filme solo”
Henry Bernardo

“A Marvel está sendo muito sábia, parando no momento certo (com a primeira leva de super-heróis). A indústria do entretenimento geralmente não sabe, deixando várias franquias agonizarem por anos. Homem de Ferro, Capitão América e Thor estão saindo no auge, sem caírem no desgaste”, observa Thiago Rique, especialista em quadrinhos de heróis.

Ele avalia que a Marvel usou todos os pesos-pesados que tinha na manga nas três primeiras fases. “Economicamente, ela precisava dos X-Men e do Quarteto para evoluir, já que trazem uma gama de outros personagens, como o Galactus, ameaça cósmica que justificaria um novo encontro dos Vingadores”.

Rique acredita que, apesar do encerramento dos contratos de Downey Jr., Evans e Hermsworth, eles não serão substituídos por outros atores. “Cada personagem encerrará o seu arco dramático em ‘Vingadores 4’. Acho que ainda serão chamados para fazer algumas pontas em um ou outro filme”, observa.

Renovação

Para Henry Bernardo, também especialista em super-heróis, o momento é de renovação. “Desde 2008, com o primeiro ‘Homem de Ferro’, tudo foi programado para ser uma história só e terminar agora em ‘Ultimato’. Uma nova história vai surgir e a Capitã Marvel é o pontapé dela, além de outros personagens de alto calibre”.

“A bilheteria e os prêmios de ‘Pantera Negra’ foram decisivos para esta aposta em empodera- mento. Está mais do que claro que diversidade faz sucesso com público e crítica, combinação perfeita para os estúdios”
Larissa Padron

Bernardo levanta a possibilidade de os Vingadores deixarem de ser o carro-chefe a partir da fase 4. “Tudo girou em torno de unir a equipe, dando-nos pistas para o confronto com Thanos. Como deverão vencê-lo em ‘Ultimato’, acredito que, a partir de agora, vão explorar com mais força outros personagens”, conjectura.

A jornalista Larissa Padron, do canal “Fora do Padron”, aposta em personagens mais jovens (com o Homem-Aranha sendo um dos principais) e com os quais o público possa se identificar melhor. “Acredito que o humor ditará a quarta fase também, como a gente já tem visto com Guardiões da Galáxia e Homem-Formiga”.

Ela sentirá falta de Downey Jr., determinante para a construção de Homem de Ferro. “Ele deu ao herói, que até então não era um dos grandes nomes da Marvel, personalidade e carisma de uma forma única”, registra. Henry Bernardo, por sua vez, lamentará a ausência de Evans. “Indubitavelmente, ele encarnou o Capitão América perfeito”, assinala.