Não subestime a dor da separação, alerta o escritor Fabrício Carpinejar, em "Espero Alguém" (Bertrand Brasil), livro que será lançado nesta terça-feira (21), às 19h30, na Unifemm, em Sete Lagoas, e na quarta (22), em Belo Horizonte, dentro do projeto "Sempre um Papo" – às 20 horas, no Oi Futuro Klauss Vianna (avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras). A entrada é franca.

"A impressão é que se arrebentará chorando. Você chora como um animal, rasteja nas vocais, jura que sua vida acabou, que não tem mais nada para fazer, chora por si mais do que por ela. Chora vento. Vacila ao atender ao telefone, já que toda palavra mais longa é cortada por um calafrio. Desaprende a se despedir educadamente, acostuma-se a desligar na cara do amigo. Seu tempo é de cortinas cerradas e insalubridade", diz um trecho.

Lições

O fim de um amor marca o início de mais uma bela obra que o gaúcho oferece a seu público – e que tem até Belo Horizonte como cenário, em uma passagem. "Quis retratar o renascimento de um homem após o fim de um relacionamento: a fase do luto, a dificuldade de se readaptar, de refazer a sua esperança, e principalmente, a fuga do 'coitadismo'", diz ele. No seu caso particular, Fabrício assegura que se levantou até muito rapidamente, por ter resolvido não se destruir em homenagem a um outro.

"Até porque, a gente precisa valorizar o que foi vivido continuando a viver", pontifica. "Quando me separei, parei de tomar refrigerante, segui não fumando, reformei minha casa e me tornei mais cúmplice de mim. Não é fácil, mas fiz questão de não perder a minha ingenuidade. Isso é fundamental", advoga.

Trocando em miúdos, em seu novo relacionamento, o autor fez questão de dar à outra metade "as mesmas chances que dei para as ex". "Não retirei as possibilidades dela. O que habitualmente a gente quer provar é que os outros não nos merecem por antecedentes que, na verdade, não cabem! E sempre vai ser um novo contexto, novas exigências", diz, defendendo uma "amnésia saborosa".

"Nosso desejo costuma ser se vingar no relacionamento seguinte, mas é preciso desarmar essa bomba-relógio, ter o direito a um rearranjo de forças – e, ao mesmo tempo, de fraquezas, pois amar é mostrar a sua fraqueza", diz Carpinejar, ávido por se reencontrar com os belo-horizontinos. "O livro não substituí a voz do autor", brada.