A sintonia já existia antes mesmo de formatar uma banda ou um projeto, então não foi surpresa para Paola Rodrigues, Julia Baumfeld e Sara Braga (Sara Não Tem Nome) a química que emergia daquele primeiro encontro. “Fizemos a música ‘Veluda’ logo de cara”, relembra Paola, ou, como os companheiros de Tarda a chamam, Lola. “No segundo ensaio, o Victor (Galvão) apareceu, e fizemos ‘Buraco de Afundar’. A gente passava finais de semana inteiros juntos e (o processo de criação) foi ficando mais intenso”, completa.

A chegada do ‘quinto Beatle’ Randolpho Lamonier se tornou a última peça de um quebra-cabeças que montava e desmontava – e montava de novo – de acordo com o feeling de cada processo criativo que se manifestava, principalmente, na casa da Sara. Ali, surgiram simbioses e mosaicos envolvendo música, artes visuais e audiovisuais, tendo como resultado o álbum “Futuro” e videoclipes.

“Nossos universos são diferentes, e todo mundo é artista visual. Mas temos muita afinidade em relação às coisas que acreditamos. Até num sentido mais complexo ou politicamente falando. É tudo muito orgânico. A imagem sempre aconteceu junto com a música, e muito por causa da música. A Tarda faz a música que eu gostaria de ouvir se eu não fizesse parte dela”, ressalta Randolpho.

Julia reitera esse amálgama de ideias. “Sempre foi uma construção. Nem toco guitarra, mas estava fazendo um riff qualquer, desenvolvemos a música e colocamos a letra. Tudo misturado, a parte musical e a visual”, sintetiza.

Em outras palavras, instaurou-se durante o período de composição uma família. “Estamos tendo que lidar com a angústia e a distopia do mundo real. E a banda tem como diferencial o fato de não estar sozinha”, enfatiza Victor.

Tarda

Melancolia e luz

Como a própria banda define, “Futuro” abrange nuances “post-rock, shoegaze e dream-pop, transitando de forma expressiva desde melodias plácidas a uma catarse ruidosa”. Embora haja uma tristeza intrínseca a algumas composições, o álbum não traz uma vibe negativa. A melancolia está atrelada a reflexões e uma luz em meio à escuridão da atualidade.

“Eu sinto que todo mundo é muito conectado com tudo que está acontecendo, a gente vive muito o agora, sabendo do que está sendo produzido em arte e por meio das notícias. Mesmo em tempos melancólicos ou derrotistas, a arte é uma forma de sentir e refletir o que estamos vivendo, tanto na dimensão intima, quanto macro dos fatos do mundo”, destaca Sara.

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