A nova edição da CasaCor em Minas Gerais acontecerá em um espaço até então inacessível para a grande maioria dos cidadãos. O evento dedicado a arquitetura e decoração irá ocupar, a partir do dia 6 de setembro, o Palácio das Mangabeiras, que até dezembro do ano passado era a casa onde morava o governador em exercício. Deixou de ser porque o atual chefe do Executivo, Romeu Zema, preferiu alugar uma residência na Pampulha para reduzir custos e disponibilizar o imóvel para uso público.

 

Inaugurada em 1955 no governo de Juscelino Kubitschek, a casa está localizada a dois quarteirões da Praça do Papa e possui uma belíssima vista para a Serra do Curral. Sua arquitetura foi capitaneada por Oscar Niemeyer, enquanto os jardins haviam sido projetados por Burle Marx. Atualmente, o imóvel é administrado pela Codemge.

De acordo com o diretor executivo da CasaCor Minas, Eduardo Faleiro, a equipe do evento buscará retomar características originais da casa, que foi alterada várias vezes pelos governadores que lá moraram ao longo de seis décadas. O cinema, por exemplo, deixou de ter uma sala de projeção para ganhar um um home theater e o piso dos quartos ganhou um laminado.

A partir de uma parceria com o Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), a equipe da CasaCor teve acesso aos projetos originais do palácio e poderá recuperar algumas características. “O palácio vai ganhar uma decoração da CasaCor, mas suas características serão mantidas para que o público possa ver melhor como é a casa. Não vamos mexer em paredes e a sala vai ganhar decoração de sala, enquanto quarto vai ganhar decoração de quarto”, explica Faleiro, acrescentando que os jardins serão modificados também, seguindo o projeto original.

Embora tenha sido construída para ser a residência de um governador e tenha o título de palácio, a casa não é muito grande. No primeiro piso, conta com uma sala ampla com lareira, um escritório, dois pequenos gabinetes, lavabos, um cinema e uma sala de jantar. No segundo piso, estão localizados os quatro quartos (todos suítes) e outra sala com lareira.

Estrutura temporária

Como seu espaço não é suficiente para receber todos os projetos da CasaCor, o evento também irá utilizar os ambientes externos do palácio. Na área onde está localizada a quadra de esportes, deve ser construída uma casa temporária. Outra ação deve ser realizada na área da piscina.

Por enquanto, a CasaCor Minas não tem captação de recursos de lei de incentivo para atuar na revitalização do palácio, que possui vários problemas estruturais – para se ter uma ideia, os cabos de fibra ótica foram estragados por roedores. As melhorias que serão feitas no espaço, para o evento, são custeadas pela própria CasaCor – que assumiu os custos de manutenção do palácio por seis meses como contrapartida pela utilização do espaço.

Caso obtenha recursos públicos no futuro, a CasaCor poderá trabalhar efetivamente na reforma do espaço do Mangabeiras, assim como vem acontecendo em relação à casa da RFFSA, na rua Sapucaí, onde ocorreram as edições 2017 e 2018 do evento. A previsão é que todo trabalho de restauro na edificação do bairro Floresta seja entregue pela CasaCor em 2020.

A realização da mostra de arquitetura e decoração em imóveis históricos é uma constante para a CasaCor em Belo Horizonte e esta será a 16ª edição em um imóvel tombado ou em processo de tombamento, como a Casa do Conde (hoje Funarte), em 2000.

Procurado pela reportagem, o Iepha informou que estabeleceu diretrizes para orientar o processo de implantação do projeto CasaCor e vem acompanhando as obras de intervenção de forma a valorizar e preservar a edificação, por considerar a importância do valor cultural do palácio.

Após a realização da CasaCor, a Codemge planeja utilizar o Palácio das Mangabeiras para a realização de outros eventos culturais, como exposições, por exemplo.