Se não fosse pela Covid-19, o artista plástico Abraham Palatnik estaria muito possivelmente em plena atividade hoje. Antes de entrar para a triste estatística de mortos por coronavírus, em maio do ano passado, o pioneiro da arte cinética no Brasil havia transformado seu apartamento no Rio de Janeiro num grande ateliê e não parava de trabalhar, aos 92 anos.

“Ele morava em Botafogo, num apartamento grande. À medida que os filhos foram crescendo e se casando, Palatnik foi ocupando os cômodos. Um quarto virou ateliê, outro depósito. Quase todos os dias, após tomar café, ele ia para a sala pintar”, registra Felipe Scovino, curador, ao lado de Pieter Tjabbes, da mostra “Abraham Palatnik –A Reinvenção da Pintura”.

A exposição marca a segunda reabertura (após a pandemia) do Centro Cultural Banco do Brasil, com início hoje de forma presencial. Prevista para ficar em cartaz até 19 de abril, poderá ser conferida pelo público de quarta a segunda-feira, de 10 às 22 horas. O acesso só será permitido mediante agendamento pelo site Eventim.

No total, serão apresentados 75 trabalhos de épocas diversas, abrangendo fases como aparelhos cinecromáticos, objetos cinéticos e lúdicos, mobiliário, pinturas e desenhos de projetos. Para a mostra belo-horizontina, a exposição será acrescida de obras que há vários anos não eram exibidas, como móveis e um rádio em que ele assina o design.

“A grande contribuição de Palatnik foi a inserção do espectador dentro de uma proposta de arte participativa. Ele foi muito fiel à arte cinética, produzindo objetos que eram ligados à eletricidade e explorando a relação da arte com a Física, a Matemática e a Geometria. Outro aspecto fantástico é o fato de ele produzir toda a obra sozinho, até os 80 anos. Não tinha nenhum assistente”, registra.

De acordo com Scovino, as obras emanam uma espécie de alegria de viver do artista, filho de judeus russos e nascido em Natal, no ano de 1928. “São trabalhos muito lúdicos. As crianças geralmente ficam fascinadas com os objetos se movimentando e criando formas e cores. Há uma certa mágica no que Palatnik fazia”, assinala.

Um dos destaques de “A Reinvenção da Pintura” está presente na segunda sala, com a reunião de aparelhos cinecromáticos. “São grandes caixas de madeira que contém lâmpadas de diversas cores que são acionadas por um circuito elétrico. Elas acendem, apagam e giram. Ao se ver numa sala escura, oferecem um efeito muito bonito”, adianta.