Celebridades da internet faturam com postagens no Instagram – e dão dicas

Thais Oliveira - Hoje em Dia
17/02/2016 às 07:40.
Atualizado em 16/11/2021 às 01:26
 (Eugênio Morais)

(Eugênio Morais)

Não é à toa que os anúncios no Instagram cresceram 13 vezes apenas nos últimos cinco meses de 2015: afinal de contas, no ano passado, a rede social anunciou que ultrapassou a baliza de 400 milhões de usuários mensais – batendo, assim, o Twitter.

Deste montante, mais de 875 mil batem ponto no perfil @it_girls, iniciativa da mineira Anna Barroso, 20, que se tornou referência no universo da moda. Mas, claro, Anna não está sozinha neste barco. Assim como ela, pessoas “comuns” – e até artistas famosíssimos – têm enxergado no Instagram não só um canal para dar vazão à sua criatividade, mas também uma fonte de renda. Acredite, há instagrammer (ou instablogger) que já consegue viver de seus posts.

Com mais de 13 milhões de seguidores, a atriz Bruna Marquezine, por exemplo, teria faturado R$ 60 mil em um post, segundo o jornal Extra.

Já Anna prefere não revelar quando recebe por uma postagem, mas assegura: “há um valor fixo do post, mas, quando se quer uma parceria mais duradoura, por exemplo, é feito um contrato”. Trata-se de um mercado em ascensão. “Mas é importante dizer que a maioria dos perfis grandes faz um trabalho sério. Não é por acaso que estão recomendando um produto”, frisa.

Para se ter uma ideia da influência da moça, em uma visita a Nova York, ela foi abordada por uma fã para tirar uma selfie. Quer mais? No final do ano passado, Anna foi um dos 15 convidados para ir a Israel conhecer um projeto – sendo a única representante da América do Sul. Filha da designer Vanessa Barroso, da Covenant, Anna diz que o Instagram abriu portas, porém, virou hobby. Há um ano, a jovem se tornou empresária da marca de sapatos que leva o seu nome.

 

Anna Barroso - Atenta às novidades, a jovem desembarcou, no último fim de semana, em Nova York, para a Semana de Moda. Foto: Joragphoto/Divulgação

 

Obra do acaso

Seguida por personalidades como os jogadores Neymar e Bernard, a belo-horizontina Renata Alves, 27, não poderia imaginar o alcance que teria as fotos que postou na Austrália, no fim de 2012. Hoje, com cerca de 20,6 mil seguidores em sua conta, diz viver dos lucros do Instagram.“Hoje, recebo direct (mensagem) de várias lojas, oferecendo parcerias”. A moça diz cobrar R$ 400 por uma “diária” no Instagram. “O valor é diferente quando a marca quer algo exclusivo”. Mas ela ressalta: “não fiz nada pensando em ter seguidores”. Por incrível que pareça, essa parece ser uma constante no universo da “blogosfera”. “Tudo aconteceu naturalmente e, se vejo algo legal, posto, mesmo sem ser uma parceria”.

Sucesso do blog fez Edi Fortes abarcar também o Instagram

Há cerca de 6 anos, quando estava de licença-maternidade, Edi Fortes, 34, percebeu que queria compartilhar as peculiaridades que envolvem o universo da maternidade. Sem muitas pretensões, ela criou o blog “Mamães Vaidosas”. “As mães começaram a me procurar para tirar dúvidas e a enviar muitos e-mails”. Em menos de quatro meses, a surpresa: “a L’Oréal e a Embeleze (do Rio) fizeram contato”. A partir de então, a curitibana residente em BH e administradora, passou a se dedicar exclusivamente ao novo negócio.
 
Posts de R$ 3,5 mil
 
Depois de certa resistência, Edi se rendeu às redes sociais, que funcionam como suporte ao blog, que segue sendo seu carro-chefe. “No Instagram, um post varia entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Já no blog, custa a partir de R$ 3,5 mil”, conta.
 
Bastante procurada por marcas que trabalham com o público infantil, Edi diz já ter rejeitado muitas propostas. “Só posto aquilo que tenha credibilidade. E, antes de testar um produto nos meus filhos, testo em mim mesma. Sou criteriosa, porque não quero que aconteça com os filhos dos outros o que não quero que aconteça com os meus”, enfatiza.
 
Estudo
 
Tamanha é a influência das mídias sociais que o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo criou o curso Fashion Blogging, para quem quer seguir o caminho da moda. “Lá explicamos um pouco desse universo e mostramos aos alunos como oferecer um conteúdo mais profissional, além de auxiliá-los na construção de sua imagem nas redes sociais”, explica a idealizadora do curso, a empresária de moda e CEO do F*hits, Alice Ferraz.
 
A professora de Web Jornalismo da Uni-BH, Lorena Tárcia, concorda que, para quem quer seguir na área, é preciso conhecimento. “As redes sociais são um fio tênue entre construir uma imagem ou destruí-la. Por isto, as pessoas e as empresas que querem entrar neste ecossistema têm que pensar em qualidade – e não em quantidade”, avalia.

Edi posa com os filhos, Eduardo e Emmie, os inspiradores do blog. Foto: Flávio Tavares

‘O leitor considera o blogueiro um amigo, que conta histórias’

Lu Ferreira, o nome por trás do blog Chata de Galocha, é outra que aposta na rede social. “O Instagram virou mania. Todo mundo tem instalado no celular. Ver imagens no feed é bem mais simples do que ler um post, e demanda menos tempo. Você pode fazer em qualquer lugar”, diz Lu, que tem mais de 446 mil seguidores no Instagram.
 
O sucesso dos posts, para Lu, é pago com a boa reputação dos blogueiros. “Os leitores só ficam expostos a propagandas que têm a ver com seu estilo de vida. É bem melhor segmentado do que os anúncios em mídias tradicionais. O leitor considera o blogueiro um amigo, que conta histórias e recomenda produtos também”.
 
Lu vende espaços publieditoriais nas redes sociais, mas não fala sobre o valor dos cachês. “É importante a transparência de profissionais sérios em relação à publicidade nas redes. O mercado está cada vez mais qualificado e quem não é sério vai acabar sumindo com o tempo”.

“Blogueiros profissionais sempre informam o público quando foram patrocinados. O Chata de Galocha sempre foi assim, mas vejo que muitos não fazem o mesmo”, completa Lu.

 

A mineira Lu Ferreira é famosa nas redes sociais. Foto: Divulgação

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