O desejo era de fazer um disco de rock, com muita energia erótica, violência musical e beleza. Parece um objetivo difícil, mas Celso Sim soube alcançá-lo. Seu recém-lançado “Tremor Essencial” (uma parceria entre o Selo Sem Paredes e a Circus Produções Fonográficas) é um título mais provocativo e instigante do que a maioria dos álbuns que os roqueiros têm lançado nos últimos meses.

O disco apresenta dez faixas assinadas por Celso com vários parceiros, como Arnaldo Antunes, Cacá Machado e André Stolarski. Destaque para a erótica/herética “Tupitech”, música criada sobre uma letra criada pelo jornalista Xico Sá há nove anos. “Pedi ao Xico uma letra sobre o bárbaro tecnizado, sobre a visão de Oswald de Andrade sobre quem somos”, lembra Celso Sim.

A intertextualidade com a literatura está presente em vários outros momentos, especialmente nas faixas “Oriki de Yemanjá” e “Oriki de São Jorge”, músicas criadas há cerca de dez anos sobre textos do livro “Oriki Orixá”, em que Antonio Risério traduz cantos iorubás.

A música-título havia sido encomendada à Alice Ruiz, mas a amiga não soube criar sobre um “tremor essencial”. Na última semana de gravação, André Stolarski conseguiu transformar em versos o desejo de Celso. “Eu queria falar sobre o tremor essencial que o ser humano sentiu e sente ao ficar em pé e se manifestar, desde as pinturas rupestres da Serra da Capivara, no Piauí, há milhares de anos, até as manifestações por direitos humanos, do beijo da mãe ao beijo da morte”.

Há ainda duas faixas não assinadas pelo dono do álbum: “Gargalhada”, de Pepê Mata Machado (seu principal parceiro neste trabalho) e “A Liberdade É Bonita!”, uma faixa inédita de Zé Miguel Wisnik e Jorge Mautner que ganhou a participação de Elza Soares.

Rock punk samba

Produzido por Guilherme Kastrup e Estevan Sinkovtz, “Tremor Essencial” foi quase integralmente gravado ao vivo. Houve pouca interferência de pós-produção sobre as experimentações criadas em estúdio durante seis dias, em parceria com instrumentistas destacados da cena paulista.

“Eu queria fazer um disco com uma sonoridade violenta, fosse rock, punk, samba, ijexá, maracatu, acalanto. Queria aproximar o que sei fazer quando canto ao vivo, erotismo, sedução e violência, com a experiência de estúdio de gravação”, afirma o artista de 45 anos.

“O ‘método’ de Kastrup, que chamo de ‘estado de invenção musical’ foi a chave deste disco, pois somou as características de emissão de voz que sei fazer (do mais sutil sussurro ao grito primal do metal, de João Gilberto a Janis Joplin) com os músicos convidados por afinidades estéticas. Somos todos antropófagos em artes”, completa.

O disco está disponível para download em celsosim.com