Dois filmes, um universo em comum: o das cozinhas. “Chef”, de Jon Favreau, já está disponível nas locadoras. Já o belga “Bistrô Romantique”, de Joël Vanhoebrouck, pode ser visto no Now. Os títulos exploram vieses bem distintos, mas, sim, têm lá seu poder de sedução. 
 
A produção norte-americano “Chef” é um filme “antenado”. Todas – absolutamente todas – as palavras “da hora” estão ali, juntas e misturadas: food truck, selfie, blogueiros bem sucedidos ... Tudo isso girando em torno de um chefe temperamental, mas com uma característica digna de nota: ele de-tes-ta ficar na chamada “zona de conforto”. Motivo pelo qual acaba entrando em atrito com o proprietário (Dustin Hoffmann) do restaurante em LA, no qual assina o cardápio, após uma crítica negativa de um blogueiro em alta na Califórnia. 
 
Desempregado, parte para Miami, onde resolve investir na tendência food truck, adquirindo um caminhãozinho, na verdade, bem detonado – recuperado não sem um certo esforço coletivo, e com o qual viaja de volta a seu ponto de partida, do lado do filho e de um colega, e com paradas estratégicas, nas quais iguarias são devidamente degustadas. 
 
E é graças ao filho pré-adolescente, que trata de bombar a empreitada do pai nas redes sociais, o negócio decola. De volta à costa oeste, o food truck já é um sucesso na web. Paralelamente, há uma climão no ar no que se refere à sua ex-mulher, vivida por Sofia Vergara. No cômputo geral, é um filme simpático, embora incorra em clichês (principalmente no que se refere a latinos, apresentados com todos os estereótipos a que tem direito). Sofia Vergara fica devendo, aqui, uma atuação – parece que seu papel se reduz a mostrar seu físico exuberante. Participação de Robert Downey Jr.
 
Já “Bistrô Romantique” vai agradar em cheio a quem é fã de carteirinha dos chamados filmes de arte, menos empenhados em atrair público a mancheias. Em pleno dia dos namorados, as mesas já estão devidamente reservadas. Mas nem todas serão ocupadas por casais – e mesmo nas que são, não significa, automaticamente, que são pares felizes, em estado de enlevo. O fio condutor é uma das proprietárias do espaço, Pascaline, que, em meio aos preparativos do jantar, é surpreendida com a chegada de um amor do passado, que quer reatar a relação.