Considerado o maior entre todos os grandes balés românticos criados até hoje, "Giselle" seria ainda o que mais demonstraria o nível de maturidade artística alcançado pela companhia que se disponha a encará-lo, já que exige um grau máximo de técnica dos bailarinos - e por isso também seria o que mais revelaria talentos. É justamente este clássico do balé mundial em todos os tempos que a Companhia Brasileira de Ballet vem apresentar em Belo Horizonte: somente quinta e sexta, no Grande Teatro do Sesc Palladium, a partir das 20h30. Ingressos a R$ 50 e 25 (meia).

É mais uma visita da Cia carioca à cidade, que vem mantendo aqui a média de exibir dois espetáculos/ano. Só que "Giselle" não é uma estreia: foi produzido em 2009 e, desde então, já foi levado ao Principado de Mônaco, na Europa (onde teria obtido a melhor crítica do jornal Le Figaro, entre todas as companhias que se apresentavam no Forum de Dança para o qual foi convidado), e à Pequim, capital da China.

"Estivemos na China também em 2010, depois de levar uma gala e trechos de balé em 2008", frisa Jorge Garcia, diretor artístico do espetáculo e da Cia, dando um tempo nos ensaios para atender a reportagem. E acrescentando que além dos países citados a Brasileira já esteve em Israel, Argentina, México e Colômbia, onde visitou Medellin (em 2012) e Villa Vicenzio (semana passada) e, no segundo semente, levará "Giselle" a Bogotá.

Desfalcado por grandes companhias internacionais, o elenco da "Giselle" que o público mineiro confere hoje e amanhã estará muito renovado em relação à formação de estreia, em 2009.

Garra e prazer

A Brasileira tem se destacado pelos valores que burila e projeta no mercado internacional. Mesmo que produza sob as sérias dificuldades de quem busca recursos de editais de lei de incentivo para sobreviver. Além do elenco bastante renovado, um novo cenário estreia agora, no Palladium. A "belíssima" tela de fundo foi concebida e realizada pela Pará Produções, única empresa no gênero no país, mesma criadora de cenários do Teatro Municipal carioca.

Convencido que a Brasileira vem para exibir novamente a mesma garra, o mesmo prazer em dançar que seus bailarinos teriam como grande diferencial, Jorge Garcia conta "com o todo o carinho" com o qual o público mineiro sempre retribui o trabalho da companhia. E promete levar parte do elenco ao foyer do teatro, após cada apresentação, para receber os cumprimentos da plateia.