Indagado sobre qual o papel da palhaçaria no Brasil atual, o fundador e palhaço da Cia Circunstância Diogo Dias foge dos clichês para adentrar numa perspectiva mais abrangente. “O palhaço representa, de certa forma, uma massagem no tecido muscular da sociedade, um tecido que está tenso, sofrendo uma pancadaria. E, em função disso, há uma tensão no ar muito grande. Principalmente quando se fala em posicionamento político, se vê uma polaridade muito grande crescer na nossa sociedade, talvez desde 2013. E essa polaridade vem se acirrando cada vez mais”, diz.

Ainda fazendo uso de metáforas, ressalta que, embora o palhaço seja “um remédio para tentar reconstruir esse tecido muscular social”, esse agente cultural não será responsável por “salvar sozinho o mundo”: “Quiçá a si mesmo. Penso que se conseguirmos sensibilizar uma, duas, três, 50 ou 100 mil pessoas, pode ser pouco. Mas a gente não vai conseguir apagar o incêndio da floresta se não fizer o trabalho de passarinho”, comenta.

Esse papel voltará à tona neste fim de semana, quando Diogo e a Cia Circunstância vão apresentar o espetáculo “Circo de Família”, no sábado (22) e domingo (23), a partir das 15h, nos canais da instituição no YouTube e no Facebook. Uma realidade bem distinta a quem passaria uma temporada em praças e outros ambientes e agora vê a própria casa no bairro Concórdia como palco.

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“Nunca tivemos a intenção de fazer essa adaptação. Aconteceu e se tornou uma necessidade de sobrevivência. Pensávamos em fazer duas apresentações por final de semana. Após a estreia, veio a pandemia. Cancelamos a segunda semana, com a esperança de finalizar o projeto nas ruas. Mas a pandemia se fixou, e resolvemos por fazer essa adaptação. Rola uma plateia de ursinhos de pelúcia, que nos assistem, para não nos sentirmos muito sozinhos de frente para a câmera (risos)”, conta.

Como o nome diz, trata-se de um espetáculo em família, incluindo o pequeno Ravi, de apenas quatro anos e considerado a “sensação” de cada apresentação. “Para a gente é uma caixinha de surpresa. Para ele é uma diversão, ele é o ator principal que faz uma participação espontânea no espetáculo. Só apresenta quando quer, e normalmente ele quer. Às vezes participa tanto que pode até atrapalhar, como, por exemplo, pegar um elemento de um figurino do final do espetáculo e já usar isso no início (risos). A gente se atrapalha e faz o público rir com nossa trapalhada (risos). Funciona bem, o público gosta de ver ‘o circo pegando fogo’. No fim, dá tudo certo (risos)”, relata Diogo, recordando de outra ocasiões em que o ‘herdeiro’ deu sua ‘contribuição’.

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