A Cia. de Dança Palácio das Artes está cheia de novidades. A começar pelo retorno de Cristina Machado ao cargo de diretora da companhia – função que ela exerceu de 1999 a 2010 e deixou para ocupar cargos de gestão dentro da Fundação Clóvis Salgado.

Além disso, o corpo de bailarinos deve mudar gradualmente nos próximos meses. Seis profissionais passaram por uma recente audição e serão integrados aos novos projetos. Outras vagas para novatos devem ser abertas em breve, já que o governador Antonio Anastasia assinou o decreto que estipula tempo de serviço para bailarinos de companhias públicas mineiras – 25 anos para mulheres e 30 para homens.

Para Cristina Machado, a nova regra de aposentadoria para bailarinos da companhia culminará em uma renovação no quadro de profissionais, já que alguns deles poderão se aposentar em breve. “É uma lei que permite uma maior consistência para a carreira do bailarino dentro do serviço público”, afirma a nova diretora da companhia.

A primeira ação da Cia. de Dança Palácio das Artes é o retorno da ocupação performática “brancoemMim” ao Memorial Minas Vale nos próximos finais de semana. Trata-se de um trabalho pensado especificamente para esse espaço, mas que poderá ser levado para outros que tratem da memória.

Nesse projeto dirigido por Cristina e Sônia Mota, os bailarinos ocupam todos os espaços do prédio com movimentos criados por grandes coreógrafos – como Nijinsky, Ana Pavlova, Isadora Duncam e Pina Bausch.

“Ao pensar em um projeto de ocupação para o Memorial, pensamos muito na arquitetura e como tudo ali trata da memória. E o ‘brancoemMim’ trabalha a memória do bailarino, toda sua vivência na dança”, explica Cristina Machado.

Ocupação Performática ‘brancoemMim’ no Memorial Minas Vale (Circuito Cultural Praça da Liberdade). Neste sábado, domingo e dia 23, às 11h; e dias 21 e 22, às 15h. Gratuito.

‘Entre o Céu e as Serras’ volta a ser apresentado em maio

Um dos grandes diferenciais da Cia. de Dança Palácio das Artes em relação a outros grupos de dança no Brasil é a pesquisa de campo anterior ao desenvolvimento das coreografias. Cristina Machado foi peça fundamental para esse investimento da companhia, iniciado em 2000, com o espetáculo “Entre o Céu e as Serras”, dirigido por ela.

O trabalho coreográfico sobre o ciclo do ouro do século 18 foi definido após intensa pesquisa em Ouro Preto e Mariana. “Entre o Céu e as Serras” será reapresentado pela companhia em maio, no Grande Teatro do Palácio das Artes, mas dessa vez acompanhado de um trabalho diferenciado.

A Fundação Clóvis Salgado (FCS) vai preparar um material de diferentes mídias para mostrar ao público como se deu a pesquisa e o processo de criação do espetáculo. Isso não será transformado numa simples exposição, porque, segundo Cristina, a intenção é que o material produzido seja levado para várias cidades, até mesmo as que não receberão apresentações do grupo.

“É um trabalho importantíssimo no repertório da companhia”, afirma Cristina. “A partir daquele momento, passamos a desenvolver de fato o bailarino intérprete, que também é criador e colaborador no desenvolvimento de gestos e coreografias”.

Montagem inédita

A companhia vai desenvolver ainda este ano uma montagem inédita para ser apresentada em dezembro no Grande Teatro do Palácio das Artes.

Por enquanto, não há informações sobre como serão as pesquisas de campo dos bailarinos porque a FCS ainda não fechou com o coreógrafo. Há uma negociação sobre datas, segundo Cristina. “Tenho a ideia de dialogar com todo sistema da cultura, expandir o contato com o público. Afinal, o mais importante papel de uma companhia de dança pública é promover o diálogo”, diz.