A relação entre o homem e o tempo é um assunto estudado e discutido pela Humanidade desde a Antiguidade. Mesmo assim, é um tema que não se esgota, pois está sempre atrelado às particularidades da contemporaneidade.

Prova disso é o novo espetáculo da Cia. Luna Lunera, “Urgente”, que tem estreia nacional nesta quinta, no CCBB-BH – onde cumpre temporada até maio, para depois seguir para os centros culturais do Banco do Brasil em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com mais de cem apresentações programadas até dezembro.

“Urgente” trata das várias cobranças que a sociedade impõe a todos. “Ficamos pensando no mundo atual que nos demanda coisas demais, que nos ocupam demais, e nos deixam pensando: estamos em um estado de um ser que está vivendo ou esperando viver? Afinal, estamos sempre esperando para comprar um apartamento, para ter um filho ou esperando o filho crescer”, conta Cláudio Dias, ator da companhia.

Para falar sobre um assunto tão presente e complexo, a Luna Lunera convidou Miwa Yanagizawa e Maria Sílvia Siqueira Campos, do Areas Coletivo de Arte, do Rio de Janeiro, para assumirem a direção.

Elas trouxeram para o grupo uma dinâmica de trocas. Cada ator foi instigado a investigar angústias pessoais e coletivas e trazer para o grupo.

“Elas fizeram um exercício sensível em que se busca a escuta. A relação entre os personagens nasceu de uma oficina em que cada ator trouxe suas bagagens para dialogar com o outro. Foi um exercício de parar, escutar e observar como reagimos verdadeiramente ao problema do outro”, explica Dias.

Cronômetro

Em “Urgente”, cinco personagens se dividem em pequenos espaços e suas histórias são expostas em tempos cronometrados – dois minutos para cada. A partir daí, questões como a obsessão pelo novo e imediatismo, o envelhecimento das pessoas, o trabalho como fuga para as angústias são colocadas em pauta.

“Ficamos pensando sobre como estamos diante de um atarefamento, ligados à internet e à TV, tendo tudo ao vivo e imediato, perdendo a consciência de nossa condição”, afirma Dias.

“Pesquisamos muito para essa peça e descobrimos que, há mais de dois mil anos, o filósofo romano Sêneca já dizia que a vida não é assim tão curta, somos nós que a colocamos mais rápida por nos atarefarmos mais”.

Constantina

Uma grande novidade de “Urgente” na carreira da Luna Lunera é que esta é a primeira vez em que o grupo trabalha com uma trilha sonora própria. O trabalho foi desenvolvido pela banda instrumental mineira Constantina.

Os músicos participaram efetivamente da construção do espetáculo, criando as músicas a partir de diálogos feitos com os atores durante o processo. “Eles também participaram do processo de escuta”, diz o ator.

Serviço: “Urgente” no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). De quinta a segunda, às 20h. R$10 e R$5 (meia). Até 16 de maio