O isolamento social congelou, por tempo indeterminado, um hábito de muito cinéfilo: frequentar espaços destinados ao cinema em Belo Horizonte. Mas não conseguiu dar fim a exibições feitas por vários desses locais, que vêm promovendo mostras on-line, de forma gratuita, como é o caso do Cine 104 (veja mais abaixo). E hoje (24) será a vez do Cine Humberto Mauro dar início à série “Curta no Almoço”, que, por sinal, dialoga com o momento atual do mundo.

A mostra consiste em disponibilizar um curta-metragem toda sexta-feira, das 12h às 14h, no Facebook da Fundação Clóvis Salgado. “Estamos selecionando uma série de filmes que são esteticamente potentes e que tenham uma importância e uma representatividade no cenário atual. Queremos enriquecer o debate e a experiência estética de quem está em casa”, destaca o gerente de cinema do Humberto Mauro, Bruno Hilário.

A estreia será com “Angela” (2019), dirigido por Marília Nogueira, protagonizado por Teuda Bara – uma das fundadoras do Grupo Galpão – e que foi vencedor do Júri Popular do 21° FestcurtasBH. A duração é de 14 minutos, e a escolha deste curta vai de encontro com a proposta descrita por Hilário.

“A narrativa nos remete à importância de coisas urgentes neste momento de isolamento social. A casa, o lar, o companheirismo, o quintal, a vida que pulsa lá fora, nossas fragilidades internas... Um filme poético e que reforça a questão de cuidarmos um do outro”, ressalta.

Cinema

Nas próximas sextas, a mostra terá “Songs for Earth and Folk” (2013), de Cauleen Smith (1°/5), e “The Railrodder” (1965), de Gerald Potterson (8/5). “Não posso revelar qual será o filme seguinte a estes, mas posso falar que faz referências às ruas de Belo Horizonte e traz uma reflexão sobre o invisível de nossas ruas”, relata.

Outras mostras também farão certa conexão com o mundo neste momento de pandemia, segundo Hilário. “Na primeira semana de maio, faremos uma mostra com grandes mestres da comédia. ‘Em Busca do Ouro’, que fala da condição de isolamento, ganha outro contorno neste momento”, adianta ele, citando o clássico de Charles Chaplin de 1925.

Por fim, espera que os filmes a serem disponibilizados pelo Cine Humberto Mauro levem um pouco conscientização às pessoas e que isso se reflita em suas ações. “E quando acabar esse momento de isolamento, vamos nos conectar novamente. É necessário que nos estipulemos e nos encontremos coletivamente. A verdadeira arte nos inspira a cuidar do ser humano”, diz.

Cine 104 Em Casa

Outro famoso espaço de BH destinado à exibição de filmes e que também mantém suas atividades on-line é o Cine 104, que vem disponibilizando dois filmes por semana através do Vimeo. A obra desta sexta-feira (24) e deste sábado (25) será “O Apartamento”, dirigida por Asghar Farhadi e congratulada com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2017.

Cada filme do “Cine 104: Em Casa” entra no ar ao meio-dia e permanece disponível por 48 horas.

“A ideia é levar a programação do Cine 104 à casa das pessoas. Entramos em contato com várias distribuidoras e tivemos adesão de quatro: a Vitrine, a Pandora, a Zeta e a Fênix. Todas foram muito receptivas e estão torcendo muito pelo sucesso da iniciativa, são verdadeiras parceiras para nós”, relata a curadora e programadora do Cine 104, Mônica Cerqueira, otimista com esse projeto.

“Claro que estaremos felizes quando as portas do Cine 104 se abrirem novamente. Até lá, vamos mantendo a conexão com o público por meio das exibições on-line”, frisa.

Como este período de combate à pandemia do novo coronavírus não tem prazo para terminar, ela anseia que as pessoas possam enriquecer mente e espírito com cultura: “Nesses tempos tristes de pandemia e isolamento temos que pensar em serenidade, responsabilidade e solidariedade. E colocar em ação nossa curiosidade, assistindo a filmes, lendo livros, ouvindo música...”.