Com a retirada de aportes de empresas estatais e cortes de recursos da Ancine – Agência Nacional de Cinema, o financiamento estrangeiro passa a ser uma das salvaguardas da produção cinematográfica brasileira. Esta conexão com o mercado internacional é uma das marcas da Mostra CineBH, que começa amanhã, em Belo Horizonte.

Na 13ª edição, o evento vem há dez anos trabalhando esta plataforma de intercâmbio com os investidores do exterior. “Esse é o nosso grande diferencial, realizando um diálogo internacional que vai para além da mostra, ao trazer uma comitiva de profissionais internacionais para conhecer novos projetos do audiovisual brasileiro”, destaca a coordenadora Raquel Hallak.

À frente também da Mostra de Tiradentes e da CineOP, em Ouro Preto, ela entende que a copro-dução torna-se agora uma saída importante de financiamento. Além do contato feito em rodadas de negócios, a CineBH dá condições para que um projeto possa passar por programas de formação e de consultoria em festivais e laboratórios espalhados pelo mundo.

“Após dez anos, vemos que selecionamos os projetos certos, com muitos deles dando frutos, com o próprio ‘Bacurau’, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes neste ano. São, ao todo, 129 projetos que foram feitos em regime de coprodução, vários deles já tendo conseguido entrar em circuito comercial e outros ainda em finalização”, registra.

Raquel destaca que a coprodução ajuda a garantir vaga de determinados filmes em festivais, além de ampliar a circulação deles, não ficando restritos ao circuito exibidor interno. “É um papel que cabe ao governo e é fundamental que tenha continuidade. Desde 2015, 166 títulos tiveram sua estreia em festivais internacionais”, analisa a coordenadora.

A mostra não se limitará à discussão e à promoção de projetos nacionais junto ao mercado exterior. Durante seis dias de programação gratuita, serão exibidos 85 filmes nacionais e internacionais, entre pré-estreias e retrospectivas. Um dos destaques é a exibição de “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, que será o representante brasileiro na busca por indicação ao Oscar de melhor produção estrangeira em 2020.

SERVIÇO
13ª Mostra CineBH 17 a 22 de setembro de 2019 Cinco locais: Palácio das Artes, Sesc Palladium, Cine Theatro Brasil Vallourec, Teatro Sesiminas e MIS Cine Santa Tereza


Além disso

A coordenadora da Mostra CineBH, Raquel Hallak, destaca alguns filmes internacionais que serão exibidos na programação deste ano:

Danças Macabras, Esqueletos e Outras Fantasias – “A pepita do ano. Tem direção conjunta do Pierre Léon (homenageado em 2017) e da Rita Azevedo Gomes (de quem a mostra exibe filmes há anos) e ganhou um prêmio especial no Festival de Locarno, há um mês. Ele vem para cá em pré-estreia nacional e é um documentário sobre a representação dos esqueletos na história da arte”

Por el dinero – “É o filme mais recente da El Pampero, produtora homenageada no ano passado. Tem circulado por vários festivais no mundo e será exibido pela primeira vez no Brasil. É uma comédia metalinguística sobre as dificuldades de fazer cinema independente na América Latina”

Nightmare Cinema – “Um filme coletivo com histórias de terror. Um dos diretores é o Joe Dante, famoso pela franquia ‘Gremlins’. Outro episódio é assinado por Garris, que é o cara que mais adaptou Stephen King para o cinema”

A Vingança de Jairo – “Documentário incrível sobre um cineasta colombiano totalmente desconhecido no Brasil, o Jairo Pinilla, que é uma espécie de Zé Mojica no país dele. O filme fala da carreira do sujeito e acompanha os desafios que ele enfrenta pra fazer cinema. É engraçado e muito bonito”

tábua de salvação