Cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, podem ser vistos até a próxima terça-feira (30) como parte da programação do 10º CineCipó – Festival do Filme Insurgente, em formato online e gratuito.

Em tempos políticos e sociais sombrios no Brasil e no mundo, o CineCipó busca ressaltar as questões políticas presentes nas telas, assumidas em concepção plural, bem como as linhas de fuga vislumbradas contra tudo aquilo que constitui violência e opressão.

“A mostra comemorativa aos 10 anos do festival traz uma retrospectiva de obras exibidas nos anos anteriores, celebrando a potência da vida sobre a negatividade neoliberal num ato de lembrança de que é necessário seguirmos juntos na construção de pontes e na realização de grandes plantios a partir dos quais todos possam comparecer à mesa do banquete”, informa Cardes Amâncio, idealizador do projeto.

A programação da mostra conta com filmes de diversos países e regiões brasileiras que abordam temáticas diversificadas, como étnicos-raciais, gênero, feministas, ambientalistas, entre outras. Haverá também uma sessão infantil com filmes de realizadores quilombolas e outra de obras com acessibilidade (libras, audiodescrição e LSE – legendas para surdos e ensurdecidos).

Além das exibições, acontecerá uma aula aberta com os diretores José Cury e Alberto Álvares no dia 30, às 19h. Eles partilharão, num primeiro momento, a trajetória acadêmica e cinematográfica de cada um e, na sequência, exibirão produções realizadas em parceria com a equipe do CineCipó desde 2012. A ideia é compartilhar trechos de trabalhos exibidos ao longo dessas edições do festival e, em seguida, finalizar o evento falando do projeto Yvy Pyte, o primeiro trabalho com direção compartilhada.

O festival CineCipó começou há 10 anos na Serra do Cipó, distrito mineiro de Santana do Riacho. A inspiração veio de festivais socioambientais como o Fica em Goiás e o CineEco Seia, em Portugal, e também do Forum.doc, de Belo Horizonte.

Inicialmente, o evento contou com a disposição de uma pequena equipe e dos apoiadores locais, que, com pequenas quantias ou serviços, acolheram a ideia de um festival de cinema no local. Amigos e amigas também firmaram parcerias inestimáveis, colaborando na curadoria, na produção, na ministração de oficinas, na composição de membros do júri, entre outras funções.

“Quando imagens variadas atravessam nosso cotidiano, cada vez mais um festival realizado com uma boa equipe de curadoria e com afeto traz para o primeiro plano as rebeldias tão necessárias para que sigamos em movimento, com altivez e participação intensa na extensa rede onde estão aqueles que não perdem a capacidade de se indignar. Então, um festival firme nos seus propósitos tem funcionamento análogo a uma catapulta, a lançar seus projéteis onde o cinema comercial, o streaming e a programação cotidiana da televisão não chegam. E o que pode-se esperar disto? Não sabemos. Apenas o imprevisível, que foge à possibilidade de todo cálculo, e uma fogueira mantida acesa por esses gestos todos, numa longa primavera de amor e insurreição”, ressalta Amâncio.