Como na própria história do futebol, o Cinefoot – único festival no Brasil dedicado a filmes sobre o esporte número 1 do brasileiro – demorou para “escalar” mulheres no próprio time. A iniciativa nasce principalmente da versão mineira do evento, criado há dez anos no Rio de Janeiro, cuja programação terá início amanhã, com a exibição de mais de 30 filmes, nacionais e estrangeiros.

“A gente está quebrando alguns paradigmas num ano que está sendo muito especial para as mulheres no futebol. É a primeira vez que fazemos essa homenagem, não só dentro de campo, mas em todas as áreas ligadas ao futebol”, salienta Daniela Fernandes, coordenadora do Cinefoot BH e única mulher latino-americana a integrar a FICTS – Federation Internacionale Cinema Television Sportifs.

“Para nós, é importante levantar esta bandeira. A Marta (jogadora da seleção brasileira) trouxe visibilidade a questões como igualdade de gênero, de salários e no que diz respeito ao reconhecimento”, registra Daniela, que escolheu dois nomes do futebol mineiro para homenagear: a Duda, artilheira do Cruzeiro, e Nina Abreu, responsável pelo time feminino do Atlético.

A coordenadora destaca que a história da participação das mulheres no futebol foi, muitas vezes, menosprezada. Ela cita uma foto da inauguração do Mineirão, em 5 de setembro de 1965, em que se vê várias torcedoras. “Esse interesse pelo futebol não vem de agora. Nossa participação foi expressiva desde o início, só que nunca se preocuparam em contabilizar”, observa Daniela.

Filmes
A programação também contará com filmes que focam o futebol feminino, entre eles “Radar, um Time! Uma Nação”, time precursor desta modalidade no país, base para o primeiro selecionado brasileiro, e “Nos Chamam Guerreiras”, produção venezuelana sobre grupo de mulheres jovens que, em meio à agitação econômica e política do vizinho, que consegue se refugiar no esporte.

O grosso dos filmes é o mesmo que será exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas cada praça tem liberdade para incrementar a programação com produções locais. Em BH, haverá uma retrospectiva com obras mineiras, além de “Azul Escuro”, de Gustavo Nolasco, presente na mostra competitiva de curtas, que retrata um cruzeirense cego vivendo isolado na Amazônia.

Um dos grandes pesquisadores sobre o futebol no Estado, o jornalista Alexandre Simões, editor do caderno de Esportes do Hoje em Dia, também será homenageado nesta edição do Cinefoot. No sábado, às 10h30, ele e Nina Abreu conduzirão os visitantes do Mineirão pelo interior do estádio, passando por vestiários e tribunas de imprensa. A participação será limitada a 40 pessoas.

O festival será seguido pelo Cinefoot Market, em novembro, que contará com workshop, rodada de negócios e apresentação, a investidores, de projetos sobre a temática.

Veja homenagem ao jornalista Alexandre Simões: