Filme põe mulher no papel dos sedutores crônicos

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
06/06/2016 às 06:00.
Atualizado em 16/11/2021 às 03:45
 (Universal/Divulgação)

(Universal/Divulgação)

Produtor e diretor de “Superbad – É Hoje” e “O Virgem de 40 Anos”, Judd Apatow sempre assinou os seus roteiros, mas abriu uma exceção para “Descompensada”, escrito por Amy Schummer, certamente pelas semelhanças de temas e abordagens, com diálogos sobre sexo e drogas que normalmente não vemos nos filmes, personagens deslocados e um tipo de comédia que nos faz, com seu jeito franco, pensar a sociedade que nos cerca.

Lançado em DVD pela Universal, o filme tem uma personagem (a própria Schummer, da premiada série “Inside Amy Schummer”) que troca de namorado a cada noite (e não é uma força de expressão), é independente e não pensa em constituir família, odiando os minutos que passa ao lado da irmã casada (Brie Larson, ganhadora do Oscar por “O Quarto de Jack”).

Ela foge completamente do estilo mulher romântica e criada para se dedicar ao lar, ao marido e à educação dos filhos.

Só homem pode

A primeira hora de “Descompensada” nos remete imediatamente às comédias sobre homens sedutores e bem-sucedidos que acabam se deixando amarrar por uma garota simples, inteligente e que não vê nele os predicados de beleza que as outras enxergam.

E não adianta esperar que o filme de Appatow seguirá um caminho diferente, já que o objetivo da narrativa é justamente provocar essa inversão de valores, trocando o gênero e mexendo com os brios machistas em torno da máxima “homem pode”.

As melhores cenas de humor são aquelas que trocam os papéis, especialmente quando Amy está com seu “ficante” musculoso, sensível e que não fala nada além de Whey Protein.

A ala masculina está longe de se comportar como aqueles bandos de masturbadores de “O Virgem de 40 Anos” e “Superbad”. Quando estão juntos mostram uma grande preocupação com os sentimentos do outro.

É caso do jogador de basquete LeBron James, no papel dele mesmo, que desaconselha a relação de Aaron (Bill Hader) com Amy.

Aaron é um médico inteligente e filantropo que acaba conquistando o coração da moça, apesar de sua resistência. Todos querem seu bem, como mostra a sequência em que ele recebe a ex-tenista Chris Evert e o ator Matthew Brodderick – que deveria ter parado de atuar em “Jogos de Guerra”, o segundo filme da carreira dele.

O longa, por sinal, é recheado de referências e participações especiais – Daniel Radcliffe e Marisa Tomei participam de uma dessas produções românticas independentes e exibidas em Sundance.

Gisele Bündchen é citada como a modelo da “Victoria’s Secret” que se casou com o quarterback Tom Brady, padrão de beleza almejado pelo jogador de basquete Amar’e Stoudemire

Apesar das muitas brincadeiras e das piadas sobre sexo, “Descompensada” não é uma comédia escrachada.

Amy e Appatow exibem várias camadas de leitura, como a entrada em cena do pai da protagonista, que se tornou uma referência negativa para ela e que não aceita o enteado como neto.

Ao mesmo tempo, a personagem revela carinho por ele. Os diálogos, em alguns momentos, são duros e realistas, principalmente sobre o universo feminino, registro que valeu prêmios de roteiro a Amy em sua série.

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