‘Cinquenta Tons de Cinza’ também seduz homens

Clarissa Carvalhaes - Hoje em Dia
10/02/2015 às 08:15.
Atualizado em 18/11/2021 às 05:58
 (Flávio Tavares/Hoje em Dia)

(Flávio Tavares/Hoje em Dia)

Uma das estreias cinematográficas mais esperadas do ano, “Cinquenta Tons de Cinza” atraiu a atenção não só da mulherada. De olho no bafafá que ronda, desde 2012, o imaginário feminino, muitos homens deram um jeito de descobrir quem era esse tal de Christian Gray. O resultado? Ao lado delas, ou não, eles ajudarão a lotar, a partir do dia 12, salas de cinema em todo mundo.

O professor Augusto Ribeiro, de 52 anos, engrossa o rol de leitores que não resistiram à curiosidade, e, sim, leram e gostaram da obra assinada pela inglesa Erika Leonard James.

“Certo dia, percebi que simplesmente todas as mulheres da minha casa estavam falando desse livro. Tive que pedir emprestado para minha cunhada e, em quatro semanas, tinha lido a trilogia”, recorda, aos risos.

Na casa do também professor Gustavo de Souza, de 34 anos, aconteceu o contrário. Foi ele quem indicou o título para a esposa.

“Comentei com a Flaida que achei interessante um livro trazer pensamentos e desejos eróticos às mulheres. Bastou isso pra ela comprar os três volumes. Foi uma empolgação só: Christian e Anastasia passaram a nos acompanhar em todas as conversas”.

Para ele, “Cinquenta Tons de Cinza” pôs o sexo na mesa de debates dos casais. “Os homens, muitas vezes, minimizam os anseios das parceiras. Tenho amigos que proibiram as companheiras de ler o livro. Se você perguntar para dez mulheres, oito vão dizer que não têm fantasia, o que é, seguramente, mentira”.

Na pauta

Para a sexóloga Sônia Eustáquia, o livro tem como mérito levantar discussões, o que sempre é bem-vindo. Mas para as pessoas mais críticas, aponta, a autora foi infeliz no enredo: os que já gostavam de sexo sadomasoquista não viram nada demais no enredo e os que não gostam da ideia perceberam que o poder é capaz de subjugar os outros.

Visões diferentes à parte, o que fica de fato é a abertura para o tema sexualidade. “Com tantos vídeos com temas pornográficos trazendo relações bizarras, via internet, podemos pensar que o livro e o filme são um bom motivo para discutirmos as diversas formas de fazer amor e sexo”, diz a especialista.

Sônia atribui à protagonista (Anastasia) a grande sacada de “Cinquenta Tons de Cinza”. O comportamento descrito no livro dá vazão às fantasias sexuais do casal – principalmente de Christian, que de certa forma subjuga a mulher.

“Ser subjugada frente a situações sexuais pode ser a fantasia de algumas mulheres. Daí algumas se identificarem com a protagonista. De certa forma, aquelas que gostaram do livro se viram um pouco na doce, pacata e tímida estudante de jornalismo (Anastasia). No fundo, gostariam de viver essa aventura e ir às últimas consequências de servidão para satisfazer um homem, satisfazendo também a si mesmas dessa maneira”.

Em meio às discussões e polêmicas que o livro desperta, é no mínimo irresistível imaginar Freud às voltas com uma clássica pergunta: “o que quer uma mulher?”. É provável que muitas tenham encontrado nessa história cinza a resposta.

Veja o trailer:

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