Não deu para "O Sal da Terra" em melhor documentário. Como previsto, "Citizenfour", longa sobre Edward Snowden, ganhou o Oscar da categoria. "CitizenFour", de Laura Poitras, era o favorito. Antes do Oscar, também venceu o Bafta e o prêmio do sindicato dos diretores. 

“O Sal da Terra”, filme sobre o fotojornalista mineiro Sebastião Salgado, não foi o vencedor do Oscar. O longa sobre o fotojornalista mineiro foi dirigido pelo diretor alemão Wim Wenders e pelo filho do homenageado, Juliano Salgado, que nasceu na França. Esta seria a primeira vez que um filme de produção brasileira (em parceria com França e Itália) conquista uma das premiações mais cobiçadas da sétima arte.

Em entrevista ao canal TNT, na noite deste domingo, na entrada para a premiação pelo “tapete vermelho”, Juliano Salgado disse que em plena maturidade da carreira e depois de percorrer os mais distantes rincões do planeta para fotografar, o pai se viu em uma situação em que precisou se “reinventar”.

Daí, com a mãe, Lélia Wanick Salgado, o fotojornalista voltou para o interior do Brasil, em Aimorés, e fez o reflorestamento de uma área que estava destruída, em uma propriedade que há muitos anos pertence à família. Com a empreitada, Salgado e a mulher recuperou nascentes. O documentário mostra esta evolução no olhar do septuagenário fotojornalista, que hoje está radicado na França. Juliano salientou o feito, ainda mais neste momento, quando o Brasil enfrenta a crise hídrica. Juliano foi ao evento e representou o pai.

Em janeiro deste ano, Juliano falou ao Hoje em Dia que mesmo tendo nascido na França sempre se sentiu “totalmente brasileiro”. Segundo ele, quando criança, se apresentava aos colegas como “um mineiro em Paris”, devido às origens de seu pai. Neste sentido, pode-se dizer, sim, que Juliano poderia ser o primeiro “brasileiro” a ganhar o Oscar, mas não foi dessa vez.

“Através da experiência dele (o fotógrafo), estamos tentando passar a ideia de que, apesar da dificuldade de ser otimista hoje em dia, o mundo pode mudar para melhor”, destaca.

O documentário acompanha a expedição do fotógrafo por regiões inóspitas do mundo, para o projeto “Gênesis”, e ainda conta a sua trajetória, com imagens de infância em sua cidade natal, Aimorés, Minas Gerais, onde Sebastião fundou o Instituto Terra, organização ambiental dedicada ao desenvolvimento sustentável da região do Vale do Rio Doce.

Com lançamento em março no Brasil, “O Sal da Terra” não teve uma produção fácil, como admite Juliano. Os problemas aconteceram durante a edição, quando ele e Wenders não compartilhavam a mesma visão artística.

Julho do ano passado, durante visita a Belo Horizonte para a abertura da exposição “Genesis”, no Palácio das Artes, Sebastião Salgado também falou ao Hoje em Dia sobre o documentário. “Moro em Paris mas nunca saí de Aimorés. Nesse filme, o início é passado lá, no lugar onde eu ia com meu pai e tinha essa visão das montanhas maravilhosas e das luzes incríveis de Minas”, recordou.

"O sal da terra" competiu com o vencedor "Citizenfour", documentário sobre o ex-analista de inteligência americano Edward Snowden que vazou informações “top secret” para a imprensa. No ano passado, “O Sal da Terra” ganhou o Prêmio Especial do Júri "Um certo olhar" no Festival de Cannes. Na última semana, o documentário levou o César, o “Oscar Francês”, na mesma categoria que concorreu no prêmio americano.

Snowden

Após ver a vitória, Edward Snowden divulgou um comunicado sobre a vitória do documentário "CitizenFour".

"Quando Laura Poitras me perguntou se podia filmar nossos encontros, eu fui muito relutante. Sou grato por ter deixado ela me convencer. O resultado é um filme brilhante e corajoso que merece a honra e o reconhecimento que tem recebido", disse.

Snowden acrescentou ainda que espera que tudo isso sirva para mudar alguma coisa. ""Minha esperança é que esse prêmio encoraje mais pessoas a ver o filme a se inspirar pela mensagem que cidadãos comuns, trabalhando juntos, podem mudar o mundo", concluiu.