Frente a uma sensação de que estamos vivendo um momento de falta de respeito, compaixão e empatia, a jornalista, editora e historiadora Cláudia Rezende decidiu contribuir para uma mudança social por meio da literatura. Da vontade de ver um mundo mais simples e lúdico, nasceu o personagem Benjamin e o segundo livro infantil da autora, “Enquanto Não Cresço, Faço o Mundo que Eu Mereço”, lançado pela Páginas Editora.
Cláudia procurou trabalhar na obra a simplicidade e a poesia que existem no cotidiano de um menino apaixonado pela vida. “Procurei entender o universo infantil, que é tão encantado. As crianças se satisfazem com tão pouco e muitas vezes pais e familiares compram muito além do que elas desejam”, conta.

Além do conceito e das palavras escolhidas para descrever o pensamento de Benjamin, a simplicidade também está presente nas ilustrações da artista Anne Oliveira. Segundo a autora, a proposta era que os desenhos transmitissem ideias de delicadeza e afetividade, podendo sensibilizar não somente as crianças, mas também os adultos.
 

Além de lançar dois livros infantis, em 2019, Cláudia também participou da antologia poética “Elas, A Alma, A Cura”. A coletânea contou com poemas de 37 escritoras


Poli Escolhe

“Enquanto Não Cresço” é o segundo livro infantil de Cláudia. O primeiro foi “Poli Escolhe”, sobre uma menina questionadora que se incomoda com a pressão que os adultos fazem sobre as escolhas dos pequenos. Elaborada durante a gestação da primeira filha de Cláudia, a obra também nasceu de um momento de incômodo. “Estranhava toda vez que alguém vinha me perguntar para qual time a minha filha torceria. Achava que eu não deveria fazer esse tipo de escolha por ela. Isso me inspirou a escrever a história”, relembra.

As duas obras trazem visões interessantes e questionadoras que os personagens infantis têm sobre o mundo. Mas as propostas são diferentes. Enquanto “Poli Escolhe” traz uma narrativa com começo, meio e fim, “Enquanto Não Cresço” tem uma estética mais poética e interativa, com uma diagramação que convida a criança a desenhar e escrever sobre seus sonhos.

Um convite válido especialmente para as crianças menores de 6 anos. “É um livro que a criança pode pegar, desenhar, escrever e imaginar o faz de conta dela”, conta Cláudia, que já desenvolve o terceiro livro. “Poli Colore” vai retomar o espírito questionador da personagem da obra de estreia.