Após se apresentar na festa do Prêmio MTV Miaw, na última quarta-feira (3), e receber várias críticas de internautas sobre um ganho de peso, a atriz Cleo Pires usou o Instagram para desabafar nesta sexta-feira (5). Por meio de um “textão”, a artista de 36 anos reconheceu que ela e muitas mulheres sofrem por causa de um padrão “irresponsável, inalcançável e cruel” e que não irá sentir vergonha de seu corpo, "esteja ele do tamanho que estiver".

“Nesse tempo de carreira, enquanto você me assistia esperando que eu correspondesse a sua expectativa sobre a minha magreza, eu estive pressionada a me manter no padrão estético sufocante que esperavam de mim”, escreveu a atriz na postagem, que teve mais de 146 mil curtidas. Confira:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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O desabafo da atriz é reflexo de um problema vivenciado por boa parte da população mundial, que sofre ao ter de corresponder a padrões de beleza, saúde e comportamento. Questões que podem levar a quadros de ansiedade, depressão e distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia. Afinal, quem não tem um corpo magro acaba sendo visto como alguém sem equilíbrio emocional para controlar a própria alimentação - preconceito que acaba sendo demonstrado em boa parte das manifestações de gordofobia presentes nas redes sociais. 

De acordo com o psiquiatra e homeopata Aloísio Andrade, a pressão social sofrida por Cleo Pires e por muitas outras pessoas por um ideal de beleza está relacionada a uma cultura contemporânea em que se privilegia o ter em vez do ser. Para ele, vivemos em um momento de valorização do superficial e efêmero, deixando a essência em segundo plano.

Para não ser susceptível a uma busca por um ideal estético inalcançável, o médico aconselha que a pessoa trabalhe o fortalecimento da estrutura interna. “Se a pessoa tiver uma boa autoestima, a opinião externa vai contar como um acréscimo e não uma essência. Quem é mais frágil acaba sendo mais susceptível, vulnerável e depende do que o outro acha dela”, afirma o médico.

Para o especialista, o fortalecimento da autoconfiança pode ser feita a partir de um esforço interno, de fazer uma promessa para si mesmo e trabalhar para cumpri-la. Trabalho e esforço irão garantir as conquistas fundamentais para uma autoestima positiva. Intervenções estéticas de resultado rápido, como lipoaspirações, poderiam provocar um efeito contrário na busca por uma melhora da autoestima, de acordo com o médico, por estarem ligadas à valorização da superficialidade e não ao fortalecimento interno. 

“Todos nós temos que ter três listas: uma sobre o que quero começar a fazer, outra sobre o que tenho que parar de fazer ou fazer menos, e uma terceira sobre o que devo manter. Nas duas primeiras listas, o ideal é ter dois itens, no máximo. Primeiramente, você coloca em prática o plano para alcançar o objetivo e, após alcançá-lo, ele vai para a lista do que devemos manter”, explica Andrade.

E para a pessoa magra e saudável que se incomoda com os pequenos “pneuzinhos” que aparecem, o médico dá uma explicação científica sobre a importância de se manter essa gordurinha. “Uma camada do tecido adiposo funciona como regulador do corpo, como fonte de energia para um momento em que houver uma demanda. Quando não se tem essa camada de gordura, a pessoa tem maior vulnerabilidade quando há uma maior demanda física ou emocional”.