Embora seja muito conhecido no universo das artes plásticas, Clima costumava ser conhecido pelos amantes da música por conta das parcerias com Romulo Fróes e Nuno Ramos. O trabalho de compositor já estava a mostra há mais de dez anos, mas poucos conheciam sua voz e seu jeito para instrumentista – até agora, quando chega às lojas “Monumento ao Soldado Desconhecido”, seu primeiro disco.

Nesse trabalho, ele fez questão de mostrar um Clima diferente. Se antes era mais conhecido como letrista, dessa vez preferiu focar apenas nas músicas, deixando as letras para o também dublê de artista plástico e compositor Nuno Ramos.

No final de 2014, Clima (Eduardo Climachauska) partiu para um sítio, onde desenvolveu mais de 15 criações sonoras, que preferiu chamar de vinhetas. “Prefiro não dizer que eram músicas completas, porque não queria essa coisa de canção composta de maneira clássica. Mandei tudo para o Nuno e, uma semana depois, eu já havia recebido o material. Não mexi em nenhuma sílaba do que ele mandou”, diz o artista.

Para a produção, ele convidou o antigo parceiro Romulo Fróes. As gravações – feitas ao vivo no estúdio, para depois ganharem interferências eletrônicas criadas pelo próprio Clima – contaram ainda com o guitarrista Rodrigo Campos, o percussionista Sergio Machado e o trombonista Allan Abbadia.

A sonoridade é estranha, provocativa, algo que faz parte da criação de toda turma que circunda o projeto Passo Torto. “Temos um contato intenso, mas cada um faz de forma diferente. O Rodrigo faz aqui uma guitarra bem diferente do que mostra no seu disco, enquanto o Serginho toca uma percussão diferente do que faz no Metá Metá e com o Criolo”, pondera Clima, assumindo que a provocação é um termo comum. “O meu disco teve gravação orgânica, mas quis incluir interferências para causar um estranhamento que é caro ao meu trabalho.

Lá trás

Embora este seja o primeiro álbum de Clima, essa não é a primeira incursão do artista como músico. Quando ficou amigo de Romulo, há cerca de 15 anos, o acompanhou nos palcos, tocando diferentes instrumentos e soltando a voz em alguns momentos.

Foi essa experiência que o inspirou a compor músicas em grande número, tendo canções já gravadas por Verônica Ferriani, Elza Soares, Gal Costa, Manoela Rodrigues e Mariana Aydar – que no ano passado lançou “Pedaço Duma Asa”, em homenagem a Nuno Ramos.