“Exatamente como o clipe da Rihana em que ela disputa Drake. Enfim. O corpo e sexualidade também é uma forma de se valorizar”. “Esse clipe é um desrespeito às mulheres negras, que neste país têm sido subalternizadas, desumanizadas, utilizadas como objetos de cama e mesa. Um clipe misógino e racista. Péssima escolha”. Os comentários foram feitos na página oficial do Facebook do rapper mineiro Flávio Renegado, e se referem ao clipe “Luxo Só”, do disco “Outono Selvagem” (Som Livre).

Postado nas redes sociais no último fim de semana e com show de lançamento, no Rio de Janeiro, no Dia Internacional da Mulher, o vídeo tem gerado discussões na rede, porque as mulheres surgem em cena seminuas, rebolam, sensualizam, usam meia arrastão, chicote e máscaras. Todas são negras e Renegado aparece no centro da “festa”, correspondendo às “investidas” delas. 

O resultado? Uma chuva de comentários. Teve quem aplaudisse e saísse em defesa do clipe, dizendo, por exemplo, que “ficou animal, dentro do contexto do disco (que é sobre os pecados capitais), parabéns mano!”. Porém, a maioria dos comentários foi de desaprovação. No YouTube, até o fechamento desta edição, o número de deslikes era mais que o dobro que o de likes. “Colocar mulheres seminuas e um homem como o centro da atenção não ajuda em nada na luta contra o machismo escancarado e demonstrado, muitas vezes, em algumas músicas”, escreveu uma internauta. “É tanta objetificação da mulher preta que não consegui ver mais de 30 segundos”, postou outra. 

“Não sou o Algoz”
Nesta segunda-feira (6), Renegado respondeu às críticas por meio das redes sociais. “Apesar de ser homem cis, sei de alguma forma o que é ser objetificado. O negro segue como a carne mais barata do mercado. E as mulheres negras, como minha mãe e irmã, são ainda mais subjugadas. Mas, acreditem, eu não sou o algoz. Eu sou o irmão e filho. Eu sou parte. Eu sou preto e é junto com meu povo que quero estar. Seja lutando contra a desigualdade, seja falando de sexo”, escreveu.