Ainda faltam três meses para Copa do Mundo da Rússia, mas a competição dos colecionadores de figurinhas já começou. Na manhã deste sábado (24), cerca de 50 entusiastas, entre crianças e adultos, se reuniram em frente à Banca República do Líbano, na Barragem Santa Lúcia, região Centro-Sul de Belo Horizonte. O objetivo? Trocar figurinhas para completar o álbum ofical da Copa, num dos pontos de encontro mais conhecidos da capital. 

Administradora da banca desde 2008, Jaqueline Pereira conta que a história começou décadas atrás com seu pai, João Batista Pereira, permissionário da banca há 34 anos e atualmente aposentado. "Papai administrava a banca e colecionava álbuns de figurinhas. Quando alguém vinha comprar pacotinhos, ele sugeria que, quando retornasse, trouxesse as repetidas, já que eles podiam trocar. Depois, ele começou a oferecer como serviço. Para quem dava preferência pela compra dos pacotes na banca, ele oferecia a troca. Até que, na Copa da França, em 1998, ele começou a carimbar os álbuns de quem comprava na banca, como controle. Deixava as figurinhas repetidas numa caixa, que é a mesma que eu uso até hoje, e trocava com a meninada", conta.

Depois que assumiu a gestão da banca, Jaqueline resolveu adaptar o esquema. "Em 2010, o número de pessoas cresceu e vi que o carimbo não estava mais funcionando. Então, desenvolvi uma cartela, que é como a comanda do álbum, com toda a numeração das figurinhas. Funciona tanto para o álbum da Copa quanto para outros. Se tem dez colecionadores, eu já faço a cartela. É bem mais fácil que trazer o álbum, que rasga, estraga", afirma, assumindo sua paixão pelas figurinhas. "Outro dia, fui fazer a conta e vi que tenho mais de 30 álbuns fechados. É engraçado, hoje tem muito adulto. Antes eram só as crianças, mas elas cresceram e continuam vindo", diz. 

É o caso dos irmãos gêmeos Luiz Fernando Belém e Luiz Gustavo Belém, de 30 anos, respectivamente policiais militar e civil. Os dois começaram a colecionar álbuns juntos em 2002, quando tinham 14 anos. "Hoje é mais fácil, já que temos um dinheirinho para gastar. Antes, tínhamos que bater tapão na escola, demorava mais", conta Luís Fernando, revelando que, das 683 figurinhas do álbum, faltam apenas 12 para completarem. "Agora vai ficando mais difícil. Você vê bolinhos grandes e acha só uma, duas figurinhas. Mas também vai ficando mais entusiasmado com a possibilidade de fechar o álbum. Afinal, é essa perspectiva que motiva o colecionador. É muito boa a experiência de abrir o pacotinho, sentir o cheiro das figurinhas. Sem contar a que a gente conversa com muito gente, de diferentes classes sociais e idades. É um gosto que atravessa gerações", completa.

Para a contadora Roberta Nogueira, 40, a interação é o ponto mais interessante dos encontros na Barragem Santa Lúcia. "Eu venho desde 2014, com a família toda. Marido, filhos e cachorro. Meus filhos têm oito e seis anos, mas a mãe é o carro-chefe, a que mais gosta. Adoro figurinhas desde criança, não podia começar um álbum que tinha que terminar", conta. "É uma experiência muito legal para as crianças. Ensina a dividir, a trocar. E o astral é ótimo. Para mim, das difíceis, ainda falta o Suarez. Mas já tenho Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar. E confesso que, quando está no finalzinho, eu peço as quem faltam para a Panini (empresa que faz o álbum)", diverte-se.