O Carnaval passou, chegou a hora de aproveitar outras atrações da capital – que vão bem além dos bloquinhos. Belo Horizonte oferece boas opções na área das artes cênicas. O espetáculo “Humor”, do grupo Quatroloscinco, que estreou em março do ano passado, voltou ao palco do teatro do Centro Cultural Banco do Brasil onde cumpre temporada até março pela Campanha de Popularização.

O enredo gira em torno de um homem que tem uma doença rara que seca os líquidos do corpo e o faz perder os gestos – um dos conceitos da palavra “humor” é fluido corporal. Os fatores biológico e psicológico se unem, pois o grupo investigou os diversos significados da palavra humor para conduz o espetáculo.

“A busca serviu para explorarmos as manifestações corporais, nossos humores e os motores que nos fazem continuar existindo”, diz Marcos Coletta, que, além de atuar na montagem, dirige e é um dos autores do texto, em parceria com Assis Benevenuto.

Um misto de comédia e drama, “Humor” possui uma dramaturgia calcada na prosa, sem deixar totalmente de lado a poética que vem com pitadas de ironia para discutir a relação da passagem de tempo com a finitude da vida.

INCLUSÃO

Quem também entrou na Campanha é “Se Essa Rua Fosse Minha”. Com direção e dramaturgia de Juliana Pautilla e atuação de Denise Lopes Leal, o monólogo faz uma analogia entre a Lady Macbeth, de William Shakespeare, e a realidade de moradores de ruas da capital mineira.

“Convivo com vários deles na região onde trabalho e senti vontade de dar voz a essas pessoas, de expor essa realidade que é invisível para muitas pessoas”, explica Denise, que vive a personagem Macaxeira no palco.

Os relatos foram somados a pesquisas sobre loucura, tema abordado na peça de Shakespeare, para compôr a dramaturgia.
O clássico texto do dramaturgo inglês forma o eixo da montagem que inicia na rua, literalmente. “O espetáculo inicia do lado de fora do teatro, e o no cenário, apenas latas”, conta.

MOVIMENTO

Há também opção na área da dança. A boa pedida é “Retina”, do Camaleão Grupo de Dança. Com direção coreográfica de Jorge Garcia, artística de Inês Amaral e geral assinada por Marjorie Quast, a coreografia leva para o palco cinco bailarinos para discutir o bombardeio de informações que acometem as pessoas na atualidade.

“São tantas informações, mas não conseguimos reter tudo. A pesquisa para a montagem surgiu desse dilema, do que recebemos e o que devemos ou não seguir”, conta Quast.

Permeada pelo jogo de sombra e luz, “Retina” tem trilha sonora montada pelo músico Kiko Klauss. O pernambucano, radicado em Minas, reuniu canções de astros como Jim Morrison, Janis Joplin, Kurt Cobain e Amy Winehouse.

“Foram jovens que não seguiram as normas. A ideia é montar um contraponto entre nos render ou não às pressões da sociedade”, finaliza.

“Humor” no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). Até 8/3. De quarta a domingo, às 20h. R$ 5 (postos Sinparc).

“Se Essa Rua Fosse Minha” no Teatro Espanca (rua Arão Reis, 542, Centro). Até 8/3. De quinta a domingo, às 21h. R$ 10 (postos Sinparc).

“Retina” no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, Lourdes). Nesta sexta-feira (20), às 20h. R$ 10 (postos Sinparc).