No último dia 12, o programa “SuperStar” estreou sua segunda temporada, dessa vez tendo Sandy, Paulo Ricardo e Thiaguinho como padrinhos. Por dois dias, a atração esteve nos Trending Topics do Twitter por conta de um assunto que geraria muitos debates nas redes sociais: a participação dos mineiros do Tianastácia, cantando seu primeiro sucesso: “Cabrobró”.

Em xeque, a carreira já consolidada da banda: 20 anos de estrada, 12 títulos (dois lançados pela EMI) e um hit absoluto na voz de Rogério Flausino, Jota Quest, “O Sol”. Houve quem suspeitasse que a banda havia sido privilegiada, e quem dissesse que, com tal história, não poderia estar em um programa dedicado a desconhecidos. Mas muitos demonstraram apoio ao grupo.

Segundo o vocalista Podé Nastácia, o grupo enxerga de forma bastante positiva a repercussão na internet. “A banda tem uma relação intensa com festivais. Aliás, nasceu por causa de um festival (o Festvalda, em 1995) e ganhamos o primeiro lugar entre mais de 200 bandas. Já participamos de vários outros, inclusive do da Música Brasileira”, conta ele, lembrando do evento desenvolvido pela Rede Globo em 2000, em que o grupo ficou em segundo lugar com “Morte no Escadão”, de José Carlos Guerreiro, faturando um prêmio de R$ 250 mil.

O artista afirma que a repercussão na web já era aguardada, só não se imaginava que seria tão grande. “A gente já passou por muita coisa e conversa sobre tudo. Respeita qualquer tipo de manifestação, cada um tem a sua opção. Tem quem diga que estamos em uma competição para bandas iniciantes, mas quem disse? Todo mundo ali tem história”, diz Podé, que recebeu apoio de amigos como Tico Santa Cruz e o pessoal do Jota Quest. “Muitos disseram: ‘deixem as pessoas falarem, só não percam o propósito’”.


Quem não arrisca...

Mais do que aproveitar a vitrine que um programa da Globo pode proporcionar, o Tinastácia quer ganhar a disputa, que tem prêmio em dinheiro (ainda não divulgado) e contrato com gravadora – vencedora da edição passada, a Malta teve disco distribuído pela Som Livre e música tocada em comerciais e novela das sete. “A gente sempre gostou de um desafio, colocando a cara a tapa. Imagina se o Tianastácia não se classificasse na primeira fase? Não seria nada interessante para a banda, mas arriscamos”, diz Podé.

O programa dominical terá outros três dias de primeiras audições. Após a escolha de 24 bandas (oito para cada padrinho), o Tianastácia deve enfrentar outros apadrinhados por Paulo Ricardo.


‘Só na 1ª semana, foram mais de mil solicitações de amizade’

Cantor que tem três discos solo e dois com o quarteto Cobra Coral, Kadu Vianna se arriscou no “The Voice Brasil” 2014. Com sua versão para “Amor de Índio”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, passou pela primeira fase, mas saiu na semana seguinte, durante a “batalha” – quando um jurado escolhe dois cantores para um dueto no palco.

Por ter ficado pouco tempo, o mineiro não pôde usufruir tanto da visibilidade que a atração proporciona. Mas não reclama. “Todo dia recebo manifestações interessantes na internet. Uma injeção diária de apoio. Com o programa, veio uma dose ultraconcentrada dessa injeção”.

Para ele, o problema do formato é o fato de a música não estar em primeiro plano, mas, sim, outros fatores do universo do entretenimento – Kadu perdeu a batalha para Ricardo Diniz, na interpretação de uma música de Michael Bublé, bem diferente do que seria adequado ao seu estilo e timbre de voz. “O problema é que esse tipo de programa tenta construir um astro de uma hora para outra, e isso não dá muito certo. O histórico de quem passou por esses programas e permaneceu na mídia é baixo. Todo mundo cita a Roberta Sá e o Thiaguinho, mas acredito que não cresceram por causa do ‘Fama’, e sim por suas competências. Já vi a Roberta ao vivo, e ela domina muito bem o palco, canta pra caramba. Seria inevitável o crescimento”.

 

Retorno

Cantora de Divinópolis, Luiza Lara passou pelo “The Voice Brasil” 2013. Saiu na segunda fase, mas teve seus ganhos. Passou a receber convites de shows em outras cidades do interior e conseguiu um número tal de fãs na internet, que arrecadou R$ 30 mil para o novo disco via financiamento coletivo – ela havia estipulado R$ 25 mil como meta.

“Só na primeira semana após a participação no programa, recebi mais de mil solicitações de amizade no Facebook”, diz ela, que lança o CD no segundo semestre.

“Passei por várias seletivas. Para chegar até ali, certamente avaliam muito mais do que a voz”  

 

"Breakout Brasil"

Embora seja exibido na TV paga, o programa “Breakout Brasil”, da Sony, também oferece boa visibilidade para as bandas participantes. Na edição de 2013, entre os dez finalistas estavam dois representantes de Minas: Cartoon e Dias de Truta. No ano passado, foram quatro: Sambaben, Welkome, The Ladies e Obey.

Para o Cartoon, esse foi um dos momentos mais marcantes da carreira de duas décadas. “Para a gente foi ótimo, principalmente pelo fator da exposição, já que o programa atinge a um grande número de pessoas. A competição em si não é tão legal, porque música é algo com a qual é difícil fazer julgamentos”, diz o vocalista do Cartoon, Khadhu Capanema.

Segundo ele, o programa não rendeu mais convites para shows ou aumento de cachê, mas permitiu um maior estreitamento de relação entre artistas e fãs. “ Esse tipo de programa exige muita coragem, tem que estar disposto a dar cara a tapa. No nosso caso, foi interessante ver que, no momento em que jurados começaram a fazer críticas, houve reação forte dos fãs na internet. Gerou uma cumplicidade com os fãs que nem sabíamos que isso existiria, que os fãs sairiam em defesa da banda com tanto vigor”, diz o artista, contando que a banda está focada na turnê que fará em julho por cidades da costa Oeste dos Estados Unidos.