O que menos importa em “Profissão de Risco” é a história. Lançado em DVD pela Califórnia, o filme investe em atmosfera e elementos cult, apropriando-se de lugares e personagens bizarros de David Lynch e dos diálogos pop de Quentin Tarantino em meio a tensas situações de violência.

Com uma ex-modelo (Rebecca da Costa) no elenco principal, a produção do estreante David Grovic remete a, por exemplo, “Twin Peaks” e “A Estrada da Vida”, ambos de Lynch, com direito à presença de um anão e um quarto de hotel onde tudo (ou nada) pode acontecer.

O assassino profissional Jack (John Cusack) recebe a ordem de seu chefe (Robert De Niro) para buscar uma mala e aguardar no quarto 13 de uma espelunca de beira de estrada. O roteiro brinca, ao estilo Hitchcock, com detalhes que nada mais são do que um “whodunit”, que pouco significam para o desfecho. É o caso do número do apartamento, que passa a ser um dado de suspense quando o gerente do hotel deixa entender que há algo de ruim nessa escolha, por não ser “interconectado” com o quarto vizinho.

E o que são aqueles policiais aparentemente corruptos que não apenas um despiste para desviar nossos olhos constantemente para a mala que Jack carrega. No final das contas, tudo não passa de um joguinho em que o espectador também se vê enredado.

De Niro surge como aqueles gângsteres saídos da mente de Tarantino. Assim como o Jules de “Pulp Fiction”, que lê trechos da Bíblia antes de matar, cita “Magister Ludi” (Herman Hesse) para estabelecer uma espécie de tortura mental sobre seus interlocutores.

Com uma fotografia escura até para um filme de referência noir, como a inclusão de uma beldade misteriosa (Rebecca), “Profissão” se alimenta dessa expectativa para o encontro, mas, quando finalmente chegamos a ele, a sensação é de frustração pela sucessão de clichês e falta de química entre atores.

O veterano ator está over, enquanto Cusack se contenta com carinhas de que “não estou nem aí”. Rebecca é uma boa surpresa, cumprindo com o seu papel na trama, que é embaralhar algumas certezas. Pena que o the end explica demais a sua função para garantir uma grande reviravolta.