Nas cenas de “Morto Não Fala”, uma das estreias desta quinta-feira (10) nos cinemas, o ator mineiro Daniel de Oliveira teve como companheiros de cena bonecos que, mais tarde, com a inserção dos efeitos especiais, ganharam rostos – e o mais importante – vozes de falecidos encaminhados para o Instituto Médico Legal.

“Lógico que, com outro ator, seria mais fácil, mas em nenhum momento atrapalhou a minha concentração. O engraçado dos filmes de terror é que o clima se dá na finalização, quando se põe o som. É a trilha sonora que vai te levando”, registra Oliveira, que interpreta um legista com um dom muito especial: ele ouve os mortos.

Diferentemente da pós-produção, o set em Porto Alegre foi bastante silencioso, algo que o ator soube aproveitar em benefício da sua composição. “O silêncio lhe dá outra onda, um jeito de caminhar mais devagar. O Dennison (Ramalho, diretor) vai chegando sem pressa, não entregando logo que começa. Não dá susto logo de cara”.

Referências

Ele não poupa elogios ao cineasta, um notório conhecedor do universo de horror. “O filme tem várias referências, que vão do terror clássico ao gore, sem deixar de lado o humor. Fruto do que o Dennison desenvolveu neste campo. Após vários curtas bons, ele já merecia estrear em longa”, salienta. 

Premiado e reverenciado por personagens como Cazuza, Frei Betto e Éder Jofre, Oliveira não flertou muito com o gênero. Lembra de, na infância, ter vibrado com “O Exorcista” e a série protagonizada por Freddy Krueger. “Depois confesso que perdi a coragem (risos). ‘Morto Não Fala’ me fez abrir de novo para o terror”, observa. 

Na carreira, o mais perto que havia chegado do horror foi ser cogitado para viver o protagonista de “Quando Eu Era Vivo” (2013), filme de Marco Dutra também filiado ao gênero. “Adorei o roteiro, baseado num livro de Lourenço Mutarelli, um p... escritor, mas não deu. Quem fez foi o Marat Descartes, um ator bom para caramba”.

Com um final que ele mesmo assume ser aberto, após “Morto Não Fala” enveredar por maldições e casas mal-assombradas, Oliveira já vê no horizonte uma continuação para a via-crúcis de seu personagem Stênio. Enquanto não volta ao necrotério, poderá ser visto em breve na telinha, na série “Hebe”, e no cinema, com “A Cidade Ilhada”, filmado no Amazonas.

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