Se você costuma utilizar as redes sociais já deve ter se deparado com imagens que parecem ter saído direto do jogo de simulação “The Sims”. Mas se engana quem pensa que são meros memes criados com base no simulador. É enorme a chance de você ter se deparado com Duny, Alex, Honey ou outros personagens da websérie “Girls In The House”.

Inserido na categoria machinimas – vídeos fictícios feitos a partir de jogos – “Girls In The House” tem conquistado cada vez mais espaço no YouTube. Criada e produzida pelo carioca Raony Philipps, que também dubla todos os personagens, a série conta a história de três amigas que vivem e administram uma pensão. Carregada de mistério e muita comédia, “Girls In The House” acumula visualizações e já conta com duas temporadas consolidadas. A terceira tem estreia prevista para o dia 28 deste mês.

Apesar da explosão recente, a websérie teve seu primeiro episódio postado em novembro de 2014. Feita sem muita pretensão e de forma experimental, como conta Raony, o primeiro episódio teve mil visualizações em apenas um dia de lançamento, o que o motivou a continuar o projeto. Hoje são mais de 11 milhões de visualizações, divididas entre as duas temporadas e spin-offs. Em termos de aproveitamento, a websérie também ostenta bons números. “No Youtube temos umas estatísticas de acompanhamento do público, no canal o aproveitamento chega a praticamente 90%, ou seja, quem vai para ver um vídeo, acaba vendo quase todos”, conta Raony.  

Identificação

A identificação com os personagens e a proximidade com a realidade são pontos altos apontados pelo carioca. “Ela tem a nossa linguagem, fala sobre a nossa realidade”, afirma. A proximidade com o público também ajuda na identificação. “O pessoal pede muita coisa, eu sempre tento fazer algo. É muito importante, a gente sempre tem que tentar criar essa identificação, levar para as pessoas o que elas querem ver”.

Diversidade – A trama tem uma personagem lésbica e outra trans (a segunda à direita, na cena acima,
Diversidade – A trama tem uma personagem lésbica e outra trans (a segunda à direita, na cena acima, é a divertida Priscilão)

Apesar de parecer se encaixar perfeitamente às possibilidades do “The Sims”, “Girls In The House” não surgiu em algum devaneio enquanto Raony jogava o simulador. Criada em 2006, com o nome de “Girl Power”, a websérie nasceu nos quadrinhos e foi inspirada, inicialmente, no anime “Love Hina”, que também contava a história de uma pensão. 

A ideia de utilizar o jogo como base para a produção veio pela própria autonomia e facilidade que a alternativa permitia. “Foi uma forma de colocar meus projetos em prática e publicá-los sem depender de ninguém”, conta Raony, que também é autor de outras histórias – muitas adaptadas em “Girls In The House”.

Inspiração
A inspiração para os personagens surgiu de diversos lugares. Os protagonistas carregam um pouco do próprio autor e de seu cotidiano. Duny leva expressões utilizadas pela mãe de Raony e, também, um pouco do que ele queria ser. “A Duny tem coragem de falar as coisas que dão na telha, queria ter essa coragem. A Alex, por outro lado, é totalmente parecida comigo”, conta. Já os personagens secundários trazem características de figuras conhecidas do universo pop. “Eles são moldados inspirados em famosos. Isso é bom porque quem está assistindo às vezes vê alguém que gosta e pensa ‘caramba, é aquele ator!’”.