Quando a britânica Jo Platt publicou, de forma independente, seu romance de estreia “Lendo de Cabeça Para Baixo”, ela imaginava que a obra ficaria restrita apenas aos seus amigos mais entusiastas e seus familiares. A empreitada, porém, acabou sendo um sucesso e, somente na primeira versão, ultrapassou as 15 mil cópias vendidas. Agora, a obra chega ao Brasil pela editora Rocco – e no currículo já acumula 100 mil exemplares comercializados ao redor do mundo.

“Eu escrevi o livro sem nenhuma expectativa de que ele fosse publicado por alguma editora, nacional ou internacional. Fiz por diversão e tudo que veio além disso foi um grande bônus”, diz a autora, confessando a surpresa diante do sucesso da obra. “Quando recebi a ligação da minha agente me contando que os direitos do livro tinham sido vendidos para uma editora de outro país, eu tive que me deitar para me recuperar do choque. O sucesso subsequente do livro e a minha jornada literária, como um todo, parecem surreais algumas vezes”, admite.

Mas o que explica todo o sucesso do romance de Platt? Para a autora, a comédia que envolve a jornada da protagonista Rosalind Shaw pode ser um dos motivos, já que torna a personagem mais próxima do público. “Às vezes nós só precisamos rir, não é? Amo a ideia de que a minha escrita pode aproximar as pessoas da protagonista. E isso não quer dizer que meus romances evitem as realidades mais angustiantes da vida: quero que tudo que eu escreva seja o mais autêntico possível. Mas prefiro apresentar situações difíceis e personalidades imperfeitas de uma forma mais otimista. E a comédia é uma grande parte disso”, explica.

Aliás, não faltam momentos angustiantes na jornada de Ros, como é apelidada a protagonista. “Ela é uma mulher que, em rápida sequência, perde seu noivo, seu trabalho, sua dignidade e seu senso de autoestima. Sem humor para ajudar, haveria um risco distinto de o leitor desistir dela e sua inegável situação miserável”, acredita

É no humor que ela aposta e também na proximidade do público com os outros personagens secundários. “A comédia envolve, entretém e também injeta a simpatia em figuras com os quais o leitor poderia ter dificuldade em sentir empatia e conexão”, acredita.

Inspiração

Tendo vivido em vários lugares, não faltou inspiração para que Platt recheasse o livro e reforçasse a relação com as cidades que são cenários da história de Rosalind. ‘Eu vivi tanto em Londres quanto em St. Albans e, esta última, com suas sinuosas ruas medievais, mercado semanal e aconchegantes cafeterias, parecia propiciar o refúgio perfeito para Ros, já que ela procurava fugir das tensões e pressões de sua vida em Londres”, afirma.

A vida e a experiência de Platt também interferiram na criação dos personagens. A autora conta que a própria protagonista tem muito dela. “Eu certamente compartilho da paranóia e insegurança social dela, muitas vezes se preocupando em ter dito a coisa errada, para a pessoa errada, na hora errada”, confessa a autora.