Uma freira, uma atriz falida e uma jovem apaixonada por séries de TV e desinteressada pelo mundo que não seja virtual. É no encontro dessas três mulheres de mundos completamente diferentes que se constrói a narrativa de “A Ponte”, espetáculo que estreia na sexta-feira em Belo Horizonte.

A atriz Maria Flor, uma das idealizadoras do espetáculo, conta que o interesse pelo texto do canadense Daniel MacIvor foi imediato, principalmente pela facilidade de reconhecimento. “São três irmãs separadas que se encontram por causa da possibilidade da morte da mãe. É uma peça muito próxima das pessoas, elas facilmente podem se reconhecer. Quando li pela primeira vez, vi essas personagens na minha família e também nas famílias de pessoas que conheço”.

A atriz ressalta a importância das questões abordadas pela peça, calcada nas relações familiares . “Ela fala dessas relações de afeto inicial e de como elas impactam a nossa vida inteira e que às vezes nem sabemos. Reagimos e agimos de determinada forma por conta desse afeto. Ele é importante para entendermos como funcionamos no mundo”, acredita.

Embora trate profundamente da relação entre as três irmãs, Maria Flor acredita que há um teor político no espetáculo. “O fato de estarmos falando de uma família desestruturada e diferente pode ser político. Você pode tentar falar sobre as coisas, mas sem colocar o dedo na ferida”, diz ela. “A peça mostra como podemos conviver, nos amar, nos respeitar mesmo sendo diferentes e como isso pode ser bonito e enriquecedor”, acrescenta.

Diferenças

As diferenças não ficam somente nas personagens, já que a montagem reúne atrizes de gerações e trajetórias distintas – além de Maria Flor, com uma forte presença na TV e no cinema, o elenco é composto por Débora Lamm, reconhecida por seu trabalho na comédia, e Bel Kowarick, referência do teatro contemporâneo. “Temos três mulheres que são diferentes e essas diferenças, não só profissionais, mas também de vivência e idade, só ajudam. Cada uma leva um pouco de sua vivência para o palco”, diz.

As vivências se tornam importantes, também, pelo próprio teor feminino do espetáculo. “É uma peça muito feminina”, define a atriz, que vê nesta característica a potência do espetáculo. “Nesse momento é muito importante falar sobre uma família composta apenas por mulheres s e sobre a importância delas como figuras primordiais nesses núcleos”, pontua.

SERVIÇO: Espetáculo “A Ponte”, de sexta-feira a 23 de dezembro no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários). Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia)