Quando os sete integrantes da boyband sul-coreana Bangtan Sonyeondan, conhecida também pela abreviação BTS, subiram ao palco do Billboard Music Awards, no último dia 21, para receber o prêmio da única categoria votada pelo público, o Top Social Artist, muita gente pode ter sido pega de surpresa. Até porque, os garotos desbancaram grandes nomes do pop, como Justin Bieber, Ariana Grande, Selena Gomez e Shawn Mendes. Mas, engana-se quem pensa que o k-pop – como é conhecido o estilo produzido na Coreia do Sul – é um fenômeno novo.

O estudante de Letras Arthur Resende, 23 anos, conta que começou a gostar do gênero em 2009. “Conheci o k-pop porque era fã das Pussycat Dolls e queria conhecer grupos parecidos. Na época, me apresentaram o After School, que tinha uma proposta similar. Não dei muita ideia, porque estava muito voltado para o mercado ocidental. Em 2011, acabei conhecendo o 2NE1 e me apaixonei”, lembra o estudante, que garante que os pontos fortes do estilo são a versatilidade dos artistas e a qualidade das produções.

Para Arthur, a popularidade cada vez maior do gênero vai de encontro com o próprio trabalho feito pelos sul-coreanos.

“O k-pop faz bem uma coisa que artistas da música ocidental têm falhado muito. Eles conseguem manter uma carreira consistente e coesa. Mesmo quando exploram gêneros musicais diferentes, eles não perdem a essência nem a identidade de cada grupo”, destaca.

A historiadora Jazz*, 23 anos, que teve seu primeiro contato com o estilo no ano passado, ressalta o comportamento dos ídolos como um de seus fatores favoritos no k-pop.

“Os membros dos grupos são muito ativos nas redes sociais. Tiram selfies, fazem vídeos ao vivo para falarem de suas rotinas. Isso faz com que os fãs se sintam mais próximos. Eles são tipo gente como a gente”, avalia.

Fã de doramas, como são conhecidas as séries de televisão orientais, Jazz confessa que os primeiros contatos com o pop sul-coreano não foram tão fáceis. “No início tive bastante resistência por ser diferente do que estamos acostumados. Mas no final, as diferenças acabaram me conquistando”, revela a historiadora, que conta que a relação com o k-pop surgiu pela insistência de um amigo. “Ele me bombardeava com músicas e muitas fotos do BTS. Depois, por conta própria, acabei descobrindo outros cantores e outros grupos”, lembra.

Jazz destaca a variedade dos temas abordados nas músicas do gênero. “Eles tratam de questões importantes, mesmo que de forma mais sutil, como relacionamentos abusivos, a questão LGBT, críticas ao sistema, bullying, opressão, entre outros”, exemplifica ela, que ressalta, porém, incomodar-se com algumas apropriações feitas pelos artistas.

“O k-pop tem variedades que o estilo americanizado não possui. Porém, ele também tem problemas. Eu, como uma pessoa negra, me incomodo bastante com a apropriação. Mas, infelizmente, esse não é um problema exclusivo deste estilo”, salienta.

“Para conhecer o k-pop é preciso ir devagar, porque nem todas as sonoridades são fáceis de digerir para quem está acostumado com a música ocidental. Para começar, eu indicaria grupos que soam mais como pop norte-americano tipo KARD, BTS, Blackpink, Bigbang, 4minute, Pentagon, MOBB, as solitas do SNSD (Taeyeon, Tiffany e Seohyun), CL e Hyuna”, recomenda o fã Arthur Resende

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KPOP MG – Grupo de apaixonados pelo estilo em Minas Gerais tem mais de 1.200 integrantes e já cadastrou dezenas de covers no Estado

Fã-clube criado em Minas organiza festas temáticas, encontros e concursos de dança

Apesar dos kpoppers mostrarem constantemente sua força através das redes sociais – afinal, não é difícil se deparar com temas relacionados ao estilo entre os assuntos mais comentados no Twitter –, não é apenas através da internet que os admiradores do gênero se reúnem.

Kpopper desde 2007, a estudante de Pedagogia Micaela Santos, 24 anos, teve a ideia de criar, em 2010, o Kpop MG, grupo que reúne os mineiros apaixonados pelo estilo. “Eu tinha a intenção de encontrar pessoas que também gostassem do gênero. Quando criei, ainda não conhecia ninguém que compartilhasse desse gosto”, diz.

Com 7 anos de existência, a comunidade, que começou com 20 membros, já acumula mais de 1.200 pessoas e organiza diversos eventos que envolvem o estilo, como festas temáticas, encontros e concursos de dança.

“A Festa Kpop acontece a cada três meses, organizamos também os meetings, que são encontros em lugares públicos para chamar os fãs mais tímidos e até mesmo os pais para conhecerem a proposta do Kpop MG”, conta a estudante, que destaca também os eventos solidários organizados pelo grupo.

“De tempos em tempos, fazemos pequenos eventos beneficentes. Visitamos orfanatos, fazemos oficina de dança em escolas e arrecadamos alimentos não-perecíveis para doação”, conta.

A comunidade vai além da reunião dos admiradores mineiros. Micaela conta que a comunidade também cadastra covers de artistas. Em Minas, já são 41 grupos cadastrados e outros 40 covers de cantores solo.

Idealizadora da iniciativa, a estudante garante que vê com orgulho a trajetória da comunidade mineira.

“Fico muito feliz porque estamos caminhando e tendo várias conquistas. Um grupo de k-pop já veio para Minas e, agora, estamos aguardando o MASC, que será o segundo a vir ao Estado”, destaca a estudante, que garante que está preparando surpresas para A.C.E, Heejae, 26 e Woosoo, integrantes do grupo.

“Já estou com meu ingresso em mãos e terminando de preparar os mimos que vou presenteá-los. É uma grande conquista ver um grupo de k-pop pisando em solo mineiro”, afirma Micaela.

Micaela

MICAELA – “Eu me considero uma dinossaura do k-pop, porque meus grupos favoritos debutaram antes de 2000”

Além disso

Depois de passar por São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, o quarteto sul-coreano MASC desembarca em Belo Horizonte nesta quinta-feira para uma sessão de autógrafos no Teatro Pio XII (rua Alvarenga Peixoto, 1679, Santo Agostinho), das 19 às 22h.

Formada pelos integrantes A.C.E, Heejae, 26 e Woosoo, a boyband sul-coreana, que mistura batidas dançantes com influências do hip-hop e do R&B, iniciou sua carreira em agosto de 2016, com o mini-álbum “Strange”. Na capital mineira, o MASC traz seu novo single “Tina”. Os ingressos custam R$ 125.

MASC
MASC – Quarteto sul-coreano realiza sessão de autógrafos em BH, depois de passar por quatro cidades brasileiras

 

* Pediu para usar apenas o apelido