O aspecto que mais chama a atenção em “Exterminador do Futuro: Destino Sombrio”, sexto filme da franquia de ficção-científica que estreia hoje nos cinemas, é o esforço em tentar restabelecer a conexão com os personagens principais e com os dois primeiros longas-metragens dirigidos por James Cameron, em 1984 e 1991.
 
É como se concordasse que a série desandou a partir do terceiro capítulo, com a entrada de novos personagens e a preocupação maior em aprimorar as habilidades dos vilões robóticos enviados do futuro, quando, na verdade, as máquinas eram apenas um dos elementos que fizeram de “T1” e “T2” um marco no gênero.
 
exterminador

Arnold Schwarzenegger retorna ao papel do ciborgue, com lições e percepção dos próprios erros

 
A intenção de retomar a linha narrativa e alguns conceitos originais não se restringe apenas à volta de Sarah Connor, vivida por Linda Hamilton, mãe do futuro líder da resistência contra as máquinas. Algumas sequências deste “Destino Sombrio” também emulam cenas específicas, como a do esqueleto de robô saindo das chamas.
 
Barbárie
Apesar desta aproximação, o sexto filme perde de vista aquilo que é essencial na história: o medo do futuro, a partir de uma abordagem distópica. Embora Arnold Schwarzenegger apareça no meio do filme para dizer que a tendência da humanidade é ir para a barbárie, em qualquer situação, a produção fala mais do presente.
 
A questão fronteiriça com os mexicanos é uma delas – uma personagem fundamental à trama tem esta origem. O grande muro parece brincadeira de criança diante de um mal maior, visto num robô REV-9 que cumpre apenas o que foi programado a fazer. Muito diferente do velho T-100 de Schwarzenegger, que surge aqui cheio de compaixão.
 
O T-100, criado em plena era Ronald Reagan (presidente republicano dos Estados Unidos, entre 1981 e 1989), é representativo de uma segunda chance, ao admitir que o que fez foi errado. Num mundo à beira do caos, com um robô que parece indestrutível no encalço, isso dá o que pensar em relação à realidade do mundo de hoje.
 
Um discurso que, infelizmente, é jogado na história de forma pouco orgânica, depois de o filme apresentar quase uma hora de ação incessante.