A experiência de Rodrigo Negão como compositor vem de longa data. Nascido em São Paulo, no Capão Redondo, o artista compõe desde menino, em uma linguagem fortemente influenciada pelo rap e pela cultura do hip-hop. 

Mas, apesar da bagagem, foi a trajetória no teatro – ele atuou em espetáculos como o musical “Zumbi”, e a mineira “Madame Satã”, peça para a qual compôs a música “Centenas de Povos Negros” – que instigou o artista a partir também para a música. O resultado da empreitada ele mostra em “Registro Experimental”, disco que marca sua estreia. 

Colocando em cena inquietações e reflexões acerca da vivência da população negra no país e, também, das desigualdades sociais, o artista leva para o álbum um forte discurso político. “São músicas de protesto, de representatividade. São canções que falam de um ser humano preto, orientado, engajado e empoderado. É um disco que fala do universo negro em todas as esferas”, explica.

Ele conta que o álbum também carrega muito da bagagem acumulada durante o percurso no teatro. “Foi através do meu trabalho como ator que passei a compreender melhor a vivência do homem negro. Não penso na música como um movimento melódico, mas sim como uma forma de refletir sobre a vida e o mundo. E essas são inquietações que apareceram a partir da minha profissão inicial, que é o teatro”, afirma. 

Apesar de trazer consigo o olhar de um teatro engajado, o artista destaca as potencialidades do formato musical. “A música tem o poder de acessar muitas pessoas em ambientes muito diferentes, através da rádio, da internet, das redes de streaming. Entendendo essa capacidade, é muito importante falar de representatividade, falar de corpos negros a partir de uma visão que não seja a de uma sociedade branca, europeizada, colonial e patriarcal”, pontua. 

Sonoridade

Rodrigo Negão conta que o próprio título do disco carrega a essência sonora do trabalho, que explora vários estilos musicais, como o samba, o rock, a mpb, o soul e a black music, através do rap. “O disco nasce da ideia de experimentar a conversa do rap com diversos estilos”, diz.

Aliás, o álbum acaba seguindo também um caminho de experimentação no surgimento, já que o disco é reflexo do show homônimo, apresentado por Rodrigo Negão antes da produção do disco. “Começamos em 2017, fizemos uma apresentação em São Paulo, depois alguns shows em Belo Horizonte. Aí aprovamos um projeto pro Natura Musical. Entendemos que seria agora o momento para fazer o lançamento oficial do disco para BH e o mundo”, conta.