A 13ª edição do Festival Mundial de Circo abre, na quinta-feira (29), com espetáculos em dois locais simultaneamente – Funarte (Casa do Conde) e Galpão Cine Horto – além de residência, palestra e uma mostra ibero-americana. No Mundial, fragmentos do circo contemporâneo vindos da França, Finlândia, Peru, Chile, Espanha e do Brasil.

O Festival aposta numa nova ênfase dada hoje à formação dos artistas circenses. Aos poucos, vai saindo do picadeiro o velho circo, o tradicional, onde a parte técnica era fundamental para os mais diversos tipos de truque e/ou saltos mortais. Entra em cena o chamado "circo contemporâneo", que se coloca mais próximo da dança, do teatro, do universo plástico e da tecnologia – que passa pela luz, pela resolução do cenário ou por efeitos de áudio ou vídeo.

Luis Sartori do Vale, artista circense mineiro, atualmente morando em Helsinque, enxerga bem essa tendência do novo circo: "Hoje a gente consegue ver isso claramente na França, na Bélgica e na Escandinávia. O circo contemporâneo utiliza essa mistura e conversa com as outras artes. Talvez seja isso a maior diferença entre o que fazemos e o dito circo tradicional".

O artista faz parte do Coletivo Na ESquina, composto por mais 5 brasileiros e uma francesa. Todos os brazucas são mineiros e vieram da Spasso Escola Popular de Circo. Três deles lapidam a formação na Europa: dois na Académie Fratellini (Paris) e um na Escola Superior das Artes do Circo (ESAC, de Bruxelas). Lá também estuda a francesa Pauline Hachete.

Artista de rua

Nesta quinta-feira, o espanhol Leandre Ribera inicia os trabalhos. O palhaço - figura também nobre no modelo contemporâneo – mora em Barcelona e se formou basicamente na rua. Um dia, ouviu de alguém: "na rua você está em casa", e não teve dúvida: batizou de "Na casa do Leandre" o espetáculo que mostra na quinta, às 20 horas, na Funarte (rua Januária, 68 – Floresta). "Chez Leandre" faz uma temporada de quatro dias diretos no espaço.

O 13º Festival Mundial de Circo vai até o dia 8 de setembro e vários artistas que compõem o cardápio oferecido apresentarão espetáculos e performances especialmente idealizados para o FMC. Os "residentes" também mostrarão o que aprenderam ou para onde seus diretores ou coreógrafos os levaram. Como acontece em outros universos da arte, o circo também se recria, se questiona e se lança no campo da pesquisa, onde mora tanto o contemporâneo quanto o tradicional.

Dois irmãos, dois destinos e o fazer do circo contemporâneo

Pedro Sartori morou na Bélgica por cinco anos. Fez três anos de circo na ESAC, a renomada escola belga de circo e depois foi contratado pela Feria Musica, companhia de Bruxelas. Hoje tem vários projetos paralelos à cia. - um deles é o Na ESquina -, e vive entre a Bélgica e a França, palcos constantes em sua agenda. "O circo na Europa tem uma força maior, muitos artistas se dedicam à profissão, muitos teatros acolhem o circo com generosidade e há mais investimento em arte. Aqui temos que criar todo o caminho. Eu tenho essa profissão porque amo o que faço, mas quero ter um pé maior no Brasil", diz Pedro, que reencontra no Festival seu irmão Luis, que também morou em Bruxelas e hoje reside na Finlândia. "Estou em Helsinque trabalhando com circo. Mas fui pra lá por causa de uma finlandesa que também é do ramo", revela Luis.

Sem cair na rotina

"Muita gente me pergunta como é minha rotina por lá e, na verdade, não existe exatamente "uma rotina". O que existe são vários períodos diferentes. Período de criação do espetáculo, período de ensaios, de viagens etc. No circo, quando você está rodando com um espetáculo, a trupe toda já está imaginando, criando outro. É assim que acontece" conta Luis.

Pedro e Luis são filhos de artistas. O pai e a mãe são artistas plásticos e, provavelmente, um dia poderão contribuir para o espetáculo. "Estou feliz por estar na minha cidade e mostrar um trabalho que dá muito prazer em fazer", conclui Luis.


Clique aqui e confira a programação completa!