O mês de abril marca o início de alguns dos principais eventos gastronômicos na cidade: Comida di Buteco, Restaurant Week e Botecar. Em comum, as iniciativas têm a missão de driblar a crise econômica. Para tanto, todas apostam suas fichas, mais uma vez, na combinação de comida de qualidade e preço acessível. Ainda assim, caro leitor, é bom preparar o bolso, pois são muitos pratos a serem degustados. Juntas, as três ações contemplam mais de 135 estabelecimentos de BH.

Fundado na capital mineira, o Comida di Buteco 2016 começa na próxima sexta-feira (15) com uma proposta, no mínimo, ousada: eleger o melhor boteco do Brasil. O coordenador do evento em Minas e no Sul do país, Filipe Tosta, garante que o concurso tem know-how suficiente para bancar a competição nacional.Nesta 17ª edição, o Comida di Buteco estará em 20 cidades, nas cinco regiões brasileiras.

Segundo Tosta, a expertise é também a razão de o concurso não ter sido impactado pela retração da economia. “Temos uma equipe efetiva de 15 pessoas focadas 100% no concurso. Somos uma plataforma que comunica de Norte a Sul do país, trazendo resultados para o patrocinador, que, mesmo em meio à crise, continua investindo”.

Sem tema específico, o Comida di Buteco segue até 15 de maio. O vencedor municipal será conhecido seis dias depois, na festa “Saideira”, a ser realizada no Mineirão, com shows de Baianas Ozadas (convidando João Cavalcanti, do Casuarina), banda Saideira e Copo Lagoinha. Os ingressos estão à venda no comidadibuteco.com.br.

Os campeões de cada cidade irão se reunir em 5 de junho, no Rio de Janeiro, onde será revelado o grande vencedor. “A escolha do Rio tem relação com um conjunto de fatores: os bares nasceram lá, a cidade nos procurou para promover esse evento, além de ser a sede da Olimpíada”, afirma Tosta, ao indicar que a escolha é estratégica para atrair a atenção dos turistas.

Virada

Bicampeão do Comida di Buteco, o bar Já To Inno chega à competição esbanjando otimismo. Na contramão da crise, após a entrada no concurso, o quadro de funcionário da casa pulou de um para 13. “Íamos fechar o bar. Fomos do inferno para o céu”, afirma o proprietário Washington Grenfell.

Indicadores da edição 2015 do Comida di Buteco

Votos: 430 mil

Cadeia de valor: R$ 110 milhões

Empregos gerados: 4.600 mil

Mídia espontânea: R$ 50 milhões

Pessoas impactadas diretamente nos botecos: mais de 4 milhões

Conforme o empresário, durante o concurso, o movimento aumenta entre três e cinco vezes. Para dar conta do recado, mais uma novidade: a ampliação do espaço físico. “Ganhamos visibilidade; hoje, temos clientes de toda BH, de fora do estado e até de fora do país”, comemora Grenfell, que projeta contratar um profissional bilíngue. 

Botecar 2016 aposta que evento é “válvula de escape” para frequentadores

Bolinho de arroz recheado com queijo Minas, linguiça caipira e raspas de requeijão moreno. A carne é de lata e vem regada com o molho da casa. Batizado de “Jango” – não em homenagem ao ex-presidente da República, mas, sim, a um mineiro fazendeiro do distrito Inhaí –, o prato é a aposta do Bazin Bar para vencer o Botecar 2016. A escolha dos ingredientes seguiu à risca o tema do concurso: “Mineiridade”. “Quisemos remeter ao passado, de quando poucos tinham geladeira, e a carne ficava (acondicionada) na gordura. Já o requeijão escuro vem de Inhaí, região de Diamantina (Alto Jequitinhonha)”, destaca Maria Betânia França, dona do bar junto ao marido Luvismar Rafael.

Barzin Bar - Botecar
BARZIN BAR – Com boas expectativas, Maria Betânia e Luvismar contrataram quatro funcionários especialmente para o evento

 

O concurso deu a largada na última quarta-feira e segue até 7 de maio. Durante o período, a empresária espera aumentar o faturamento de 60% a 70%. “A casa tem sete anos e esse foi o pior começo de ano de todos. Acredito que a queda foi de cerca de 50% em relação a 2015. O Botecar dá uma alavancada”. 

Ao todo, 50 bares participam da iniciativa neste ano. Em 2015, foram 55. “Quatro novos bares chegaram e nove saíram. Alguns saíram porque fecharam as portas, outros mudaram de negócio”, explica o organizador do Botecar, Antônio Lúcio Martins. 

Contudo, ele ressalta que essa não é a realidade geral do setor. “Apesar da crise, vários estabelecimentos investiram na casa para receber melhor seu cliente”.

Botecar em números - edição 2015
Votos: 150 mil
Empregos gerados: 160 (expectativa de 200 para 2016)
Número de visitantes: 500 mil pessoas (expectativa igual para 2016)

Para Martins, o ramo se manteve equilibrado por funcionar como uma válvula de escape. “Quando você enfrenta um momento difícil, busca por relaxamento e, então, vai se distrair. E nada melhor que uma mesa de boteco para minimizar as tensões”.

 

‘As pessoas ficam mais confortáveis para sair, pois não terão surpresa ao ver a conta’

O Restaurant Week também diminuiu o número de participantes. O organizador do festival – presente em mais de 15 cidades do Brasil –, Fernando Reis, explica que a retração foi uma estratégia usada para driblar o cenário. “Descobrimos que o consumidor visitava de três a dez restaurantes em 2014. Hoje, estimamos que o número é de um a três lugares. Pensando nisso, reduzimos os restaurantes para que seja possível gerar uma demanda maior para todos os participantes”.

Especializado na alta gastronomia, os estabelecimentos do circuito viu a margem de lucro despencar no último ano. Para Reis, isso evidencia a faca de dois gumes presente no ramo. Isso porque, por um lado, houve um aumento da culinária popular a exemplo do número crescente dos foods trucks, mas, por outro, as pessoas não estão dispostas a gastar mais num restaurante gourmet. “O tíquete médio para um casal é de R$ 300 a R$ 400 num lugar de padrão mais alto. As pessoas estão ficando desempregadas; não podem pagar. Por isso, o Restaurant Week é um formato que fomenta o setor e estimula as pessoas a saírem de casa, pois o preço é acessível”, frisa.

Dados do Restaurant Week 2015
Número de visitantes: 60 mil
Menus vendidos: 40 mil
Faturamento: R$ 4 milhões

Tudo preparado

Animado com a temporada do festival, que começa nesta segunda-feira (11) e vai até 1º de maio, Fúlvio Motta, proprietário do Verano Studio Gourmet, não quer decepcionar os clientes. Visando por crescimento no faturamento, ele está na proposta da 12ª edição do Restaurant Week: trazer opções kids no menu. 

Os pequenos clientes vão ganhar também um parquinho. “Os investimentos, somando os brinquedos, infraestrutura, arquitetura, foram de mais de R$ 70 mil”, calcula. 

Verano Studio Gourmet - Restaurant Week
CARDÁPIO KIDS – Ao fundo, o parquinho que será inaugurado amanhã no Verano

Já os adultos serão agraciados com duas opções para prato principal criadas a partir do tema do evento, “Clássicos com toques brasileiros”, sendo uma contendo surubim do Norte e a outra ravióli de camarão. 

Esperando dobrar a receita durante o festival, Motta conta que contratou dois profissionais. “O movimento cresce nesta época porque as pessoas ficam mais confortáveis para sair, pois não terão uma ‘surpresa’ ao ver a conta. Se gostarem da experiência, há chances de elas voltarem; o evento ajuda na renovação do público”.


SERVIÇO

COMIDA DI BUTECO
Período: 15/4 a 15/5
Valor dos pratos: máximo de R$ 25,90
Mais informações: www.comidadibuteco.com.br/belo-horizonte

BOTECAR
Período: até 7/5
Valor dos pratos: de R$ 5 e R$ 35
Mais informações: www.botecar.com.br

RESTAURANT WEEK

Período: 11/4 a 1º/5
Valor dos pratos: no almoço, a refeição com entrada, prato principal e sobremesa custará R$ 39,90 + R$ 1 da doação para a Associação Mineira de Reabilitação – total de R$ 40,90. No jantar, o valor total é de R$ 52,90
Mais informações: www.restaurantweek.com.br