Mais uma vez o Fórum Internacional de Dança – FID, um dos principais fomentadores do gênero artístico no país, lança os olhos para a produção latina. Com programação que vai de amanhã a domingo, o evento reitera a defesa da arte produzida no Brasil e também nos países vizinhos. 
 
Nossa proposta é nos assumir como latinos. Nos últimos anos já temos trabalhado com artistas da região e o que trazemos é esse desejo de produzir, publicar e valorizar a arte que tem sido feita por aqui”, explica a curadora Caroline Silas. 
 
Com tal proposta, a programação traz como atração internacional o espetáculo “Epitafios en el Viento”, do grupo Tatambud Danza, da cidade de Pasto, na Colômbia. A produção é coreografada e executada pelo bailarino Baldomero Beltráne. 
 
fid

O bailarino e coreógrafo colombiano Baldomero Beltrán apresenta o espetáculo “Epitafios en el Viento” sábado e domingo, no Teatro Raul Belém Machado

 
Com música executada ao vivo, o espetáculo também coloca em cena os ritmos e instrumentos tradicionais do país. “É um trabalho muito importante e potente porque fala desse corpo sendo transformado pela violência. É algo que estamos vivendo. Muita gente vai conseguir se identificar”, garante a curadora. 
 
Além da apresentação, o bailarino colombiano compartilha sua trajetória e conversa com o público no “FID Autobiografia”, abrindo a programação do Fórum. 
 
Diálogo com a academia
A produção acadêmica também ganha destaque na programação do FID através do “Fórum Afirmativas Latinas”, que reúne as pesquisadoras mineiras Lívia do Espírito Santo e Violeta Penna. A conversa tem mediação da professora Lívia Guimarães, do departamento de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 
 
Doutoranda em Artes na universidade, Penna ressalta a importância de aproximar as pesquisas desenvolvidas na academia do público geral e da comunidade. “É fundamental para desmistificar esses lugares do saber”, diz. 
 
Circulação 
Com 24 anos de história, o FID é uma das referências na fomentação da dança no país. Além disso, o fórum desenvolve importante papel na difusão da arte na capital mineira, principalmente por levar espetáculos e discussões para áreas que não se restringem aos centros. “O FID é o único festival que usou todos os equipamentos e aparelhos culturais da Fundação Municipal”, destaca Silas. “Essa circulação da arte é algo que defendemos desde o início”.