Grace Passô. Se você ainda não ouviu esse nome, um dos mais premiados do teatro brasileiro nos últimos anos, terá muitas oportunidades para ser apresentado a ele nesta semana. Com o filme “Temporada”, que estreia nesta quinta nos cinemas, e a homenagem que receberá na Mostra de Cinema de Tiradentes, a partir de sexta, Grace entra definitivamente no radar cinematográfico.

Ainda que sua produção na tela grande esteja apenas em fase inicial, já é possível vislumbrar um casamento duradouro, de grande diálogo com outras artes, especialmente o teatro, sua força-motriz. “Me falaram que a homenagem é mais pelo trabalho nas artes, em que o cinema está inserido. Acho muito pertinente. Pois meu trabalho muitas vezes atravessa a linguagem”, observa.

Na 22ª edição da Mostra (veja programação de longas-metragens abaixo), Grace não só ganhará homenagem como também apresentará “Vaga Carne”, filme em que esse “atravessamento” se materializa na transposição de uma peça, criada e encenada por ela, para o cinema, com direção de Passô e de Ricardo Alves Jr., parceiro habitual da atriz e dramaturga.

Aliás, transposição não é a melhor palavra para definir o novo trabalho. “Tenho gostado mais de ‘transcriação’, pois não é uma peça filmada. Fizemos sim um filme a partir desta encenação, mas há muitas coisas que não estão na peça e que aparecem no filme. Para mim, é uma leitura cinematográfica da peça”, analisa Grace, que apresentou a peça pela primeira vez há dois anos.

Em essência, o filme reúne dois personagens complementares: voz e corpo, questões que se aproximam das temáticas da Mostra deste ano. Talvez por essa relação, o filme foi selecionado para a abertura sem estar pronto. Há três semanas, ele ainda era rodado num teatro na região central de Belo Horizonte. 

Novo campo

Sobre “Temporada”, que também será exibido na Mostra, Grace afirma que o filme abre um campo muito grande para a sua participação no cinema, especialmente após ganhar o Candango de melhor atriz no Festival de Brasília do ano passado. 
“Compactuo verdadeiramente como a Filmes de Plástico (produtora mineira) opera, ao criar o universo cinematográfico. São muito brasileiros, em vários aspectos”, registra.

Ela se sentiu bastante à vontade diante da câmera. “Aprendi que atuar é conceber o mundo. É saber realizar o desejo de alguém”, assinala a atriz, que destaca a identidade mineira do filme. “Toda obra é muito de onde ela vem, de onde foi feita. Apesar de acharem que periferia é tudo uma coisa só, elas são muito diferentes no país”.

Grace ainda não sabe o que fará no futuro. Se diz um pouco dependente de como seus mais recentes trabalhos serão recebidos. “Neste momento, o que estou procurando entender é como conseguir absorver as minhas potências nos trabalhos”, analisa.

Confira a programação completa desta 22ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes em mostratiradentes.com.br.

Mostra de Tiradentes 2019

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