As longas filas em frente ao guichê montado na Praça da Estação para a distribuição dos ingressos comprovam o quão bem-sucedido pode ser um festival de música brasileira. Cerca de 45 mil ingressos (já esgotados) foram disputados pelo público que queria curtir, de graça, domingo, o “Natura Musical” – mais uma vez realizado de forma simultânea em três praças da cidade. Mas quem não conseguiu garantir a entrada para as festas montadas nas praças da Estação e JK ainda pode aproveitar a programação da Praça da Liberdade, que tem acesso liberado.

No cômputo geral, o show mais aguardado parece ser mesmo o de Arnaldo Antunes, que recebe Marisa Monte no encerramento do evento, na Praça da Estação. Os dois não subiam ao palco juntos há tempos. Aqui, vão dividir vozes em “Dizem” (parceria gravada por ambos), “Sem Você” (parceria que já haviam feito no programa “Grêmio Recreativo”, da antiga MTV) e algumas músicas do projeto Tribalistas (obviamente, “Já Sei Namorar”).

“Embora nós sejamos muito amigos, a oportunidade de dividir o palco com Marisa Monte é muito rara. A última vez, foi em um show dela, em que participamos eu e Carlinhos Brown. Nem me lembro há quantos anos”, diz Arnaldo Antunes.

O artista vai apresentar, ainda, algumas músicas de seu mais recente álbum, o eclético “Disco” (cuja turnê ainda não havia passado por Belo Horizonte), além de sucessos, como “Socorro” e “Essa Mulher”.

“Acho que um show em praça pública é um privilégio para o artista. O público costuma ser muito mais vibrante, porque estão ali pessoas que sempre tiveram vontade de assistir ao seu show, mas que até então não tiveram oportunidade pelo preço dos ingressos”, opina Antunes, que semana passada abriu, no Rio de Janeiro, a exposição visual “O Interior Exterior”, com fotos de letreiros feitas por ele ao longo de 20 anos em suas viagens pelo Brasil. “Não sabia o que fazer com aquelas imagens, cheguei a pensar em um livro, mas foi boa, a ideia da exposição”.

5 a Seco lança disco no festival

O festival “Natura Musical” pode ser uma boa oportunidade para mostrar ao público um disco que acabou de sair do forno. É o caso do grupo 5 a Seco, que acaba de colocar no mercado o disco “Policromo”. Trata-se do segundo álbum de carreira e o primeiro feito em estúdio pelo coletivo de cinco compositores do universo musical de São Paulo.

“Todas as diferenças entre nossos dois discos são decorrentes do fato do novo ter sido feito no estúdio. Aqui, tivemos mais opções técnicas, o resultado ficou mais próximo do que gostaríamos de fazer. As escolhas foram com mais cuidado e apuro”, afirma Tó Brandileone.

Quando foi criado, há cinco anos, o coletivo não imaginava que iria tão longe. A intenção inicial era fazer quatro shows para divulgar os trabalhos de cada um. Deu tão certo, que o 5 a Seco acabou gerando discos e mais de 200 shows pelo Brasil.

“Mas uma condição que temos entre nós é de que ninguém vai parar com sua carreira solo”, diz Brandileone, que lançou álbum no início do ano (“Ontem Hoje Amanhã”) e nos últimos meses vem se dedicando à produção de outros artistas, além da composição sob encomenda para trilhas de teatro e cinema. Em breve, começa a gravar um projeto em duo com o percussionista Zé Luis Nascimento.

Sobre um clássico

Karina Buhr não traz um convidado, como a maioria das atrações do festival, mas apresenta um projeto bem diferente de sua carreira. Trata-se do show em que interpreta músicas do grupo Secos e Molhados.

O show nasceu quando a cantora foi convidada, no início do ano, para participar do projeto “73 Rotações” – em que artistas interpretam discos marcantes de 1973. Coube a ela dar a sua cara para o primeiro álbum dos Secos e Molhados – clássico com sucessos incríveis, como “O Vira”, “Sangue Latino”, “Assim Assado” e “Rosa de Hiroshima”.

“Eu estava pensando em dar uma paradinha nos shows para começar a fazer o novo álbum, mas apareceram muitos convites para apresentar esse show”, diz a cantora baiana, criada em Recife e radicada em São Paulo.

“As nossas versões nasceram naturalmente. Não pensei ‘vou mudar tudo’. Só ao colocar a nossa personalidade, a música acaba ficando diferente”.

Confira a programação

PRAÇA DA LIBERDADE

– 10h: Érika Machado
– 11h15: Oficinas do Giramundo
– 14h30: Disco Baby com Anderson Noise e Daniel Cozta
– 16h30: Pequeno Cidadão

PRAÇA JK

– Vinil é Arte
– 15h: Siba com Chico Lobo
– 16h30: Felipe Cordeiro com Luê e Dona Jandira
– 18h: Karina Buhr canta Secos e Molhados
– 19h30: Nação Zumbi com BNegão

PRAÇA DA ESTAÇÃO

– 14h: Marcela Bellas com Juliana Sinimbu
– 15h: 5 a Seco
– 16h30: Fernanda Takai com Samuel Rosa
– 18h: Elba Ramalho com Mariana Aydar
– 19h30: Ney Matogrosso
– 21h15: Arnaldo Antunes com Marisa Monte

Os ingressos gratuitos para os shows das praças da Estação e JK já foram distribuídos. Para a Praça da Liberdade, não é preciso retirar ingressos.

 Confira as atrações do festival "Natura Musical" que acontece neste domingo

Crianças vão dançar música eletrônica

Para os pais, a programação da Praça da Liberdade é a mais convidativa. Especialmente, porque não há apenas shows tradicionais, como projetos diferenciados. O Giramundo, por exemplo, vai fazer oficinas para a meninada. 

 A grande novidade é o projeto “Disco Baby”, que vai transformar a praça num “club” infantil. Nascida em São Paulo, onde acontece regularmente, a iniciativa visa a colocar pais e filhos na mesma pista de dança – normalmente, o projeto costuma fazer pistas de dança separadas para os que estão começando a andar e já crescidinhos.

 

 











Segundo Noise (que também divide as pick-ups com o paulista Daniel Cozta), o repertório traz clássicos dançantes, como antigos sucessos da house music e de importantes nomes da música pop. “A molecada gosta de uma coisa antiga, como Michael Jackson. Mas vou deixar para o Yan escolher o set list dessa vez”, diz o DJ.“É uma ideia superinteressante, porque os pais entram na folia junto com as crianças. Os pais que costumavam me ver tocar quando eram mais jovens agora vão ver seus filhos dançando a música que eu e meu filho vamos colocar”, diz.No “Natura Musical”, as pick-ups vão ficar com o mineiro Anderson Noise, que participou do projeto em São Paulo em duas oportunidades. Ele estará acompanhado de seu filho, Yan Noise, de 15 anos.