Para ser um legítimo fã de Kiss não basta ser (somente) um acumulador de discos, camisas, broches, bizarrices e raridades da banda. Um fã, desses de verdade, tem que ter a cara e a alma do Kiss.

Pra entender melhor a onda dessa turma, você confere a partir de agora as histórias de três rapazes e uma moça que descobriram e se relacionam com a banda de forma extremamente emotiva e fiel. Todos eles nasceram em Minas Gerais e têm em comum a paixão desmedida pelo Kiss.

Gente que já fez (e faz) muita coisa inusitada e até inacreditável – seja pra ficar perto dos caras ou, pelo menos, pra alistar mais admiradores para o que fãs do mundo inteiro chamam de "Kiss Army".


O FÃ QUE FICA SEM DINHEIRO
Leonardo Bridges, 33 anos, promotor de eventos


Ele tem um filho de 9 meses e mora com a namorada bem no Centro da capital mineira. Há um mês, a ideia de Leonardo era simplesmente ir ao show e ficar o mais perto possível dos caras, mas, ele acabou mudando de ideia e, agora, vai assistir a apresentação, lá atrás, na arquibancada. O motivo? O moço decidiu dar um upgrade no nível de fanatismo: pagou o chamado "Meet And Greet". Ou seja: "Ferrei meu bolso por causa disso".

 

kiss

 

 

Explica-se: "Meet And Greet" com o Kiss significa tirar uma foto com a banda, bater um papo, ter dois itens autografados, fatura um estojo de palhetas, uma camisa, um pôster, um acústico de 40 minutos, além de poder ver a passagem de som". Tudo por R$2.672. Ow, yeah! "Sou fã ou não sou?", pergunta ele aos risos.

Bridges lembra que a paixão começou aos 15 anos quando ainda estava na 8ª série. "Quando vi a capa do 'Destroyer' pela primeira vez, já fiquei de cara porque era diferente de tudo que eu já tinha visto. Era muito impactante mesmo. Quando escutei o álbum, pensei: 'eles não tem apenas um visual do ca*$#@, mas o som também é maravilhoso'. Daí fui atrás da discografia e virei mais um soldado da Kiss Army", conta aos risos.

Presume-se, então, que como um bom soldado do Kiss, é fácil escolher a música favorita. Nada disso: "Pra mim é difícil escolher até o álbum favorito", brinca ele para depois dar o braço a torcer: "OK! ‘I've Had Enough (Into The Fire)’, do ‘Animalize’".


O FÃ QUE FICA SEM NOIVA
Gustavo Morais, 32 anos, jornalista


O envolvimento do Gustavo com o Kiss tem mais relações com a espiritualidade do que com questões de consumismo. "O Kiss me ensinou que não devo desistir dos meus sonhos, mas viver de acordo com minhas próprias regras. Logo, sempre assimilei o fato que o Kiss defende: a liberdade, o chute no traseiro da baixa autoestima e o acreditar em si mesmo. Apesar do espírito de megalomania da banda, eu jamais sai por aí comprando todos os produtos que levam a marca deles. O compromisso que firmei tem relação com a música, com a atitude e com o espírito de garra deles", afirma.

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Das loucuras que encarou pela trupe estadunidense, o moço diz que fez o básico do básico: comprou discos, livros, DVDs, viajou para ver shows (sim, no plural) e... conquistou desafetos por causa do Kiss. "Uma ex-namorada morria de ciúmes da banda e mencionava que meus olhos brilhavam mais pelo Kiss do que pela vontade de me casar com ela. Então, posso dizer que troquei um casamento em potencial pelo Kiss. A garota nem era lá grande coisa mesmo e o Kiss sempre foi a banda mais legal do mundo".

A paixão pelo som pesado vem da infância. "Sou de uma família de roqueiros e essas coisas são passadas entre as gerações. Ainda não tenho filhos, mas certamente eles ouvirão o Kiss. O amor pelo rock é imutável e incondicional. Eu costumo dizer que ninguém vira roqueiro: nós já nascemos assim. Por isso, sem o menor peso na consciência, eu categoricamente afirmo que as três pessoas mais influentes em minha vida sempre serão: meu pai, Paul Stanley, a estrela suprema do rock, e Rod Stewart".

Para um cara tão espirituoso, nada melhor do que ter, portanto, uma canção favorita do Kiss para cada senso de humor: "Se estou mal-humorado ouço 'Shout it Out Loud'; se estou apaixonado, a trilha é 'Forever' ou 'Nothing Can Keep Me From You'; se sinto a necessidade de exorcizar o baixo astral, vou de 'Makin' Love'. Entretanto, a música do Kiss que mais me define é 'I Pledge Allegiance To The State Of Rock And Roll'".


O FÃ QUE CONVERTE A FAMÍLIA INTEIRA
Maurício Peres, 34 anos, gerente de projetos na Construção Civil


O Maurício conheceu o Kiss no auge de uma pequena contravenção escolar: ele tinha 14 anos e estava matando aula na Galeria Praça 7 para ir ao cinema. Mas, no meio do caminho, adivinha quem ele descobriu? “Tinha a capa de um disco do Kiss bem exposta em uma das lojas e ao mesmo tempo tocava as músicas deste álbum. Bem, a ‘matada’ de aula era pra ser assistindo ‘Batman Forever’, só que mudei de ideia e ouvi Kiss o dia todo na loja. Enfim, a minha tarde foi mais de ‘Kiss Forever’”, recorda aos risos.

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Passados 20 anos desde a descoberta do primeiro acorde, o moço garante que muita coisa mudou, mas o amor pelo Kiss continua intacto. “O fato de amar a banda me transformou musicalmente. Sempre pintei a cara nos shows e me emocionava. Hoje gosto de reparar no público porque é bem variado: tanto na Argentina, quanto no Uruguai ou Brasil. Imagino que em vários lugares do mundo por onde eles passam também. E isso mostra o poder que a banda tem”.

Um poder que, modéstia à parte, gente como Maurício contribui bastante para reforçar. “Eu sou fã pra car@#$ não só pelas músicas da banda que marcaram passagens da minha vida, mas tenho o diferencial de aumentar o fã clube. E o ápice disso foi ter convertido um pagodeiro (meu irmão), uma sertaneja (minha irmã) e uma Jovem Guarda (minha mãe). Hoje todos lá em casa gostam e muito do Kiss”, brinca.

Depois da “conversão”, Maurício já escreveu uma carta aos caras e vejam só! O texto foi publicado no site oficial da banda com direito a foto. Depois do feito, o moço continua a observar os passos da banda. Confere até a listagem de pedidos para backstage e a partir deles tira conclusões que dão o maior frio na barriga. “Já sabia que eles haviam mudado hábitos, mas sucos naturais e outras bebidas leves me fizeram aceitar que o tempo também passou para eles, por mais que a maquiagem possa torná-los imunes aos danos do tempo”.

A música favorita, “Sure know something”, Maurício espera muito ouvir aqui no Mineirinho. “O fato deles tocarem na minha casa faz com que várias expectativas sejam criadas e algo me diz que o Kiss está chegando na reta final. Não me assustaria ser também uma turnê de despedida”.


A FÃ QUE MOBILIZA O MUNDO TODO
Mhorgana Alessandra, 35 anos, pscicóloga


Se você achava que os três rapazes são exemplos de legítimos fãs do Kiss, vai entender porque a Mhorgana completa o que se pode chamar de Quarteto Fanático. “Eu sou fã desde antes de nascer. Na barriga da minha mãe já ouvia Kiss. Nasci gostando deles”, resume.

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Natural, portanto, que as filhas dela, de 7 e 9 anos, Ísis e Victória, sigam os mesmos passos da mãe (e do pai, e da avó, e da tia...). “Minhas filhas já amam o Kiss. Eles são o tio Gene e o tio Paul lá em casa. Querem ir ao show e até sabem cantar as músicas. O Paul e o Gene são uma dupla inseparável há mais de 40 anos e admiro essa união. Claro que não são mais meninos, eles são mais velhos que minha mãe e eu poderia ser filha deles, mas as rugas e o tempo não diminuíram a performance no palco. Eles continuam dando tudo no show como se fossem os mesmos garotos do álbum 'Destroyer'”, destaca.

Para a apresentação de quinta, às 21h, Mhorgana vai com a mãe e a irmã. Mas horas antes do show começar, ela vai ter a chance de realizar o sonho de ficar cara a cara com os ídolos. Assim como Leonardo Bridges ela vai participar do "Meet And Greet" – só que ao contrário dele, Mhorgana não precisou desembolsar nenhum tostão.

Isso porque a psicóloga participou de duas promoções e em uma delas conseguiu que sua foto fosse a mais compartilhada nas redes sociais. Resultado: vai conhecer os caras na lata. “Quando vi que tinha ganhado, eu gritei tanto que você não imagina. Vários amigos pelo mundo todo postaram minha foto, compartilharam como melhor caracterização e me deram força para ganhar. Eu recebia mensagens deles me dizendo: ‘você merece ganhar!’ Foi muito bom sentir tanta energia, tantas vibrações e apoio. Eu estou muito, muito, muito feliz. E quando tudo passar vou colocar essa foto na minha parede. Vou mandar plotar a banda e eu na minha casa. Imagina só: eu e o Kiss?”.

Ah, sim, Mhorgana. Claro que dá pra imaginar! Afinal, é possível se esperar tudo de quem tem como música favorita “I was made for loving you” o que significa, em tradução livre: “Eu fui feita para amar você”. Alguém aqui duvida?