De origem africana, o termo zumbi traz a ideia de um morto que retorna à vida após ser possuído por alguma entidade ou espírito maligno. No cinema, estes personagens protagonizaram alguns dos melhores filmes de terror e – aliado a fartas doses de sangue e sustos – tornaram-se metáforas de nossa sociedade.
 
Não é o caso de “Zumbi- lândia: Atire Duas Vezes”, que estreia na próxima semana apostando no humor. A história dos zumbis no cinema passa, obrigatoriamente, pelas obras sociais de George Romero. “É impossível falar deles sem referenciar Romero, que revitalizou a figura do zumbi ”, registra Daniel Medeiros, do blog “7 Marte”.
 
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"Zumbilândia - Atire Duas Vezes" entra em cartaz nesta quinta-feira

Ao dirigir o clássico “A Noite dos Mortos Vivos” (1968), ele foi responsável, de acordo com o crítico, pela popularização do zumbi moderno. “Seus zumbis são criaturas guiadas apenas por impulsos humanos. Em ‘A Noite’, eles são metáforas para o racismo na sociedade daquela década, no qual o herói negro sobrevive aos zumbis e é morto por homens brancos”.
 
Medeiros observa que, embora representem uma ameaça dentro da lógica do filme, os zumbis raramente são os vilões. "Este papel recai sobre o humanos remanescentes. Eles, com seus instintos deturpados de sobrevivência e egoísmo inerente, são a grande ameaça. O zumbi é o elemento que serve para catapultar aquilo de pior que habita o ser humano", analisa.
 
Desde a recriação proposta por Romero, lembra Medeiros, o zumbi já passou por diversas versões diferentes – de criatura raivosa em “Extermínio” ( 2002) a um ser voraz e veloz em “Madrugada dos Mortos” (2004).
 
“Porém, mesmo diante de tantas mudanças, o zumbi que habita o imaginário popular ainda é aquela criatura concebida na década de 1960. Ao lado de Drácula e Frankenstein, o zumbi está presente na lista dos maiores monstros do cinema. E foi Romero quem o colocou ali”, ressalta.
 
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