A diferença como um valor, esse é o mote dos espetáculos criados pelo Corpo Cidadão - braço social do Grupo Corpo – para a “Mostra de 2015: As Mais Belas Diferenças”. Os jovens integrantes da companhia têm um encontro marcado com o público no dia 9 de dezembro, no palco do Cine Theatro Brasil Vallourec. Na data, uma exposição de artes visuais com trabalhos feitos pelos jovens das três unidades do Corpo Cidadão receberá os espectadores no foyer do teatro.

Os Grupos Experimentais de Danças, Danças Urbanas e o Grupo Intermediário de Música vão apresentar coreografias e arranjos de uma seleção de dez canções do grupo Pato Fu. Na última quarta-feira (18), alguns dos 75 jovens envolvidos com os espetáculos tiveram um encontro com a cantora e compositora Fernanda Takai, na sede do Grupo Corpo. Na opotnunidade, eles mostraram um pouco do que o público vai conferir daqui a poucas semanas.

Na ocasião, Fernanda Takai, que ainda não tinha visto nenhum fragmento do espetáculo - sequer sabia das canções escolhidas - acabou se emocionando. “Eu vim achando que veria algo muito legal, mas eles me surpreenderam ainda mais. Tanto na escolha das músicas, que foi totalmente 'lado Z', como nos arranjos, bem particulares”, comentou, entusiasmada, a artista.

O Grupo Intermediário de Música, composto somente por mulheres, apresentou a canção “Smplicidade” totalmente repaginada: as meninas incluíram tambores de congado no arranjo. O Grupo de Danças Urbanas, por sua vez, mostrou uma coreografia para “Canção pra você viver mais”. Com muito break e outros elementos da cultura hip-hop, os jovens surpreenderam com uma dança bem marcada para uma letra tão sutil.

 

Ao final, foi a vez de o Grupo de Danças, que trabalha a estética contemporânea, subir ao palco de ensaios para mostrar as coreografias das músicas “A Verdade Sobre o Tempo” e “O que é Isso”. Como disse Takai, “eles têm um DNA de algo que já é internacionalmente conhecido”, em referêcia ao Grupo Corpo.

 

Não por acaso, as canções foram coreografadas por Sandra Santos, ex-bailarina do Corpo. “Me surpreendeu, o fato de eles usarem uma versão à capela da música 'A Verdade Sobre o Tempo', que cantei acompanhada somente de um metrônomo. Foi mais intenso, ela ser despida dessa forma. É uma escolha de quem realmente conhece Pato Fu”, considerou a cantora.

Responsável por tantas supresas, a ex-bailarina do Corpo, Sandra Santos, contou que partiu de uma seleção de 160 canções até chegar às seis escolhidas - e em apenas uma semana. Em seu primeiro trabalho com o Corpo Cidadão, ela se diz muito feliz. “A vontade e o querer deles é fascinante e nos motiva. O fato de eu ter sido do Corpo teve um peso pra eles. Foi muito forte, esse encontro”, confessa.

A jovem Isabela Rodrigues, que faz parte do grupo de danças contemporâneas, também frisa a importância desse encontro. “O que o Corpo Cidadão faz pela gente, além das aulas, é dar a possibilidade de sentir e participar do processo de construção de um espetáculo. Eles não chegaram com uma coreografia pronta para gente decorar. Nada é imposto. Nós vivenciamos todo o percurso”, comentou.

 

Corpo Cidadão

O Corpo Cidadão é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, criada pelo Grupo Corpo Cia de Dança, com o objetivo de levar a experimentação das artes às crianças, adolescentes e jovens de baixa renda de Belo Horizonte. Atualmente a ONG atende 625 participantes, sendo 550 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, através do Programa Escola Integrada, da Prefeitura de Belo Horizonte; e 75 jovens de 14 a 24 anos, nos Grupos Experimentais de Dança, Danças Urbanas e Música.

 

Confira alguns momentos da Mostra: "As Mais Belas Diferenças"