Atualmente, é raro um dia em que a Coreia do Sul não ganhe destaque no noticiário mundial, principalmente no que tange à política e à diplomacia. Graças à sua participação na negociação do acordo entre seu vizinho do norte e os Estados Unidos, o país asiático é presença constante na mídia contemporânea. Mas, se nesse quesito o país tem estado sob muitos holofotes, há de se olhar também para outras dimensões deste território: sua cultura e, principalmente sua musica, têm se tornado cada vez mais populares ao redor do globo.

Se existe um responsável por esse grande sucesso, ele é o k-pop. O gênero musical originário do país atrai milhões de aficionados ao redor do mundo e já extrapolou suas fronteiras.

As grandes turnês mundiais de expoentes do estilo são um dos exemplos disso. O Brasil, inclusive, recebe um grupos mais cultuados do gênero, o Monsta X, em agosto para uma apresentação única em São Paulo. O fenômeno Bangtam Boys (BTS) ainda não tem data marcada em terras tupiniquins, mas já invade o território norte-americano – tanto que lançou ontem no palco do Billboard Music Awards um novo single.

Música

Para a redatora Jéssica Lellis, que também contribui para portal Brazilkorea (voltado para notícias relacionadas ao país asiático), são vários os fatores que contribuem para o sucesso do k-pop. “O primeiro aspecto está relacionado à beleza dos integrantes dos grupos e das produções. As músicas também são viciantes e misturam canto com dança. Como as bandas possuem vários integrantes, é fácil se identificar com um deles”, destaca. Ela acrescenta que a presença constante dos artistas em redes sociais é um fator positivo. “Isso faz com que os fãs se sintam mais próximos de seus artistas favoritos”, acredita.

Embora aponte diversos fatores que justifiquem esse sucesso, Lellis acredita que o êxito do gênero musical não é por acaso. “A indústria criativa coreana se empenhou em desenvolver um projeto de disseminação desses conteúdos como forma de ampliar e tornar a Coreia uma vitrine para o mundo”, pontua. “O diferencial está em como, através do consumo de cada conteúdo criativo coreano, você passa a se conectar mais com os outros. Os doramas (como são denominados os dramas do país) te apresentam uma trilha sonora; a comida exibida em determinada cena te faz querer ter uma experiência como aquela. Mais do que o consumo pelo consumo, se criou um consumo de experiências”, observa a redatora.

A jornalista Cecília Boher, especialista no tema, faz eco. “O k-pop é um produto muito voltado para a exportação, tanto que os títulos das canções são, em sua maioria, em inglês, assim como os refrões. Isso facilita a busca pela música” pontua. Ela atenta para um fenômeno conhecido como Onda Hallyu ou onda coreana, que ganhou força nos anos 1990. “Ela diz respeito à popularização produtos coreanos, seja o k-pop, seja os doramas”, sublinha ela, ressaltando que embora sejam pouco divulgados, os dramas coreanos são tão populares quanto a música pop do país.

Dramas coreanos inspiram produções brasileiras

Foi por seu encantamento pelas formas narrativas dos dramas coreanos que a jornalista Gaby Brandalise teve a ideia de começar seu próprio romance. A empreitada deu tanto resultado que em três meses a autora já havia finalizado “Pule, Kim Joo So” (Venus).

A primeira resposta do público veio quando a autora divulgou a história de forma independente na plataforma Wattpad. “Quando publiquei por lá, eu não era conhecida, então não estava esperando tantas leituras. Mas fui surpreendida, porque o tema atraiu muita gente. Em dois meses, foram 12 mil acessos. E, desde esse período até agora, em que o livro já está publicado por uma editora, eu continuo recebendo o mesmo tipo de mensagem, tanto de pessoas que gostam de doramas quanto das que nunca tinham ouvido falar”, comemora Brandalise.

Mas afinal, qual é o ponto forte dessas narrativas? Para autora, o poder está na forma como as histórias são contadas. “Os kdramas gostam de mostrar não como a vida é, mas como ela nos faz sentir. Para isso, eles não têm medo de estourar as cores em uma cena de romance, porque é assim que o mundo parece quando estamos apaixonados, ou de prolongar uma cena em que o personagem passa por algo vergonhoso, afinal, esses momentos parecem realmente durar horas”, explica “Os heróis não são os mais fortes e descolados, mas sim os que são sinceros com o que sentem. Por isso, homens choram com frequência nos kdramas. Além disso, a narrativa é ágil e cheia de viradas que você não está esperando. Um kdrama pode encontrar saídas absurdas para explicar as perguntas que ele mesmo levantou. Há histórias realmente criativas”, conclui.

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