Em menos de 24 horas, o desabafo do curador e diretor-artístico de museus e exposições Marcello Dantas, publicado no Facebook, na última segunda-feira (27), teve mais de 59 mil visualizações, além de ter registrado dezenas de compartilhamentos nas redes sociais. Não bastasse, gerou uma série de comentários – a esmagadora maioria, em tom de revolta. O motivo? De acordo com a postagem do curador carioca, atualmente radicado em São Paulo, a exposição “Palácio da Liberdade: Memórias e Histórias”, inaugurada há dois anos, estaria sofrendo uma série de descaracteri-zações. “Fiquei estarrecido com a notícia de que o atual governo de Minas Gerais mandou destruir a exposição feita por mim e por uma grande equipe”, escreveu Marcello, em sua página.

Segundo o curador, a mostra, que repassa a trajetória de 16 ex-governadores, foi submetida a um trabalho minucioso para contar com toda tecnologia de ponta e ainda preservar o patrimônio.

“Fiquei sabendo da destruição na semana passada por meio de um funcionário do governo”, informou Marcello ao Hoje em Dia, acrescentando que, também por meio desse contato, soube reservadamente de uma conversa que “se não dava para tirar somente o Tancredo Neves da exposição, que se acabasse com ela como um todo”.

Marcello revela que, segundo sua fonte, a mesa que havia instalado para repassar o processo de restauração do local teria sido serrada ao meio. “Se confirmada (a informação), é um desrespeito, pois o objetivo da exposição nunca foi partidário”, lamenta.

Outro lado

Questionada sobre as informações, a Superintendência de Palácios e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) enviou, na tarde dessa terça-feira (28), nota ao Hoje em Dia esclarecendo que a visitação ao Palácio da Liberdade foi interrompida em janeiro para uma “análise e avaliação da nova gestão do Circuito Cultural Praça da Liberdade”.

Segundo o órgão, toda a estrutura do Palácio “vai passar por uma reade-quação”. A ideia é “ampliar o olhar e repensar novos usos para o espaço, desde os jardins até a parte interna do Palácio”.

A exposição estaria, portanto, sob avaliação, pois entende-se que se restringe “a um olhar específico”, e que haveria outros olhares possíveis.

Afirmando, ainda, que nenhuma exposição, nos dias atuais, tem caráter permanente, o comunicado lembra que, com esta, não seria diferente. Não está definido, pois, se será revista ou mesmo interrompida, mas o Iepha frisa que Dantas será convidado a uma conversa quando a decisão for tomada. Em relação à informação que o curador teria recebido “em off”, alusiva a Tancredo Neves, o Instituto diz ser improcedente. A resposta do Iepha ainda acrescenta que tentar transformar a reavaliação do Circuito Cultural Praça da Liberdade em uma história política não procede. Um projeto de reestru-turação do espaço está sendo formulado e será anunciado ainda este ano, conclui.